Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 8 de outubro de 2019
“Os homens temem a morte como as crianças temem o escuro; e assim como o temor natural das crianças aumenta com histórias, o mesmo ocorre com o outro temor”. Essa frase, de autoria do filósofo inglês Francis Bacon, ilustra bem a comoção que o mal súbito (ou morte súbita) pode causar. Inesperado, o problema faz da morte um evento ainda mais assustador.
O mal súbito nada mais é do que uma parada cardíaca (e pode ter diferentes causas). Ele é definido pela literatura médica como aquele quadro que acontece de repente, até uma hora dos primeiros sintomas ou 24 horas depois da última vez que a pessoa foi vista no exercício de suas atividades normais. Alguns indivíduos morrem instantaneamente; outros falecem após a manifestação de alguns sinais. Porém, dependendo do caso e quando o paciente é socorrido rapidamente, pode se salvar.
Os primeiros registros históricos foram encontrados no Egito e contam 4.000 anos, e se atribui a Hipócrates, o pai da medicina moderna, a primeira descrição de fator de risco para tal problema (a obesidade). A cada ano, ocorrem 17 milhões de óbitos por causas cardiovasculares em todo o mundo, e cerca de 4 milhões deles foram por morte súbita. Os dados são da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Por que o mal súbito acontece?
Em 80% dos casos, a morte súbita está relacionada a doenças cardiológicas, seguidas de doenças neurológicas como o acidente vascular cerebral (AVC) e a crise convulsiva aguda. Doenças herdadas e fatores genéticos também podem estar relacionados.
O mecanismo desse evento é o resultado de um distúrbio elétrico do coração (arritmia) que interrompe a função de bombeamento e, consequentemente, do fluxo sanguíneo para o corpo.
Causas cardiológicas mais comuns
Obstrução das artérias do coração: doença aterosclerótica coronariana, como a isquemia miocárdica e o infarto, especialmente após os 35-40 anos.
Doenças do músculo cardíaco: cardiopatia hipertrófica – doença genética em que o coração fica hipertrofiado, ou seja, aumenta sua espessura. Isso gera desarranjo muscular que propicia o surgimento de arritmias graves, especialmente durante a prática de atividade física. Geralmente acomete pacientes jovens, ou seja, abaixo dos 35 anos.
Distúrbios elétricos do coração: arritmias, o que inclui doenças dos canais iônicos, também chamadas de doenças de canais moleculares, que levam a anormalidades no funcionamento desses canais por onde passam esses íons (potássio e magnésio) – que tornam esses indivíduos mais vulneráveis às arritmias.
Causas neurológicas mais comuns
Crise convulsiva aguda: pode estar relacionada a doenças como a meningite e a epilepsia, ou mesmo um sangramento.
AVC hemorrágico: lesão do tecido cerebral provocado por uma hemorragia no interior do crânio.
AVC isquêmico: perda de fluxo transitório (ou permanente) na região cerebral, devido ao bloqueio do fornecimento de sangue e oxigênio. “Importante lembrar que o AVC está relacionado à arterosclerose. Assim como ocorre nos eventos cardiológicos, a depender da extensão da área cerebral infartada e da idade da pessoa, poderá ocorrer a morte súbita”, destaca Carlos Alexandre Twardowschy, chefe da residência em neurologia da Faculdade de Medicina da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).
Outras causas de morte súbita
Consumo de drogas; Doenças metabólicas, como o diabetes.
Quem está mais suscetível
Homens na faixa dos 60-70 anos estão sob maior risco. Nessa fase da vida, 60% dos casos estão relacionados à doença arterial coronariana (obstrução das artérias do coração). Apesar disso, é importante saber que, na população em geral, a morte súbita pode ser o “primeiro (e último) sintoma” de um problema cardíaco.
O evento pode acontecer na infância, mas é raro. Na juventude, geralmente se manifestará durante a prática de alguma atividade esportiva.
Os grupos a seguir precisam ficar ainda mais atentos
Pessoas que têm na família histórico de infarto ou doença genética do coração; Pessoas que tiveram um infarto recentemente; Pessoas com insuficiência cardíaca.
Como reconhecer os sintomas
A morte súbita é o estágio final de uma série de situações que levam à parada cardíaca. Ela pode ser precedida dos seguintes sinais: Dor no peito; Falta de ar; Fraqueza; tonturas; Palpitações; Desmaio; Paralisia do rosto e da perna num dos lados do corpo (sinal de AVC); Dificuldade para falar ou compreender a linguagem (sinal de AVC); Perda ou obscurecimento da visão — em um olho só (sinal de AVC); Perda do equilíbrio ou coordenação (sinal de AVC); Dor de cabeça intensa (sinal de AVC).
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