Terça-feira, 14 de Julho de 2020

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Brasil O MDB encolheu e o PT voltou a ter a maior bancada da Câmara dos Deputados

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O MDB tem 51 das 513 cadeiras, enquanto o PT conta com 60. (Foto: Agência Câmara)

Se no Poder Executivo o MDB sofre uma rejeição popular recorde com a gestão do presidente Michel Temer, a situação no Legislativo também não é das melhores: o partido foi o que mais perdeu cadeiras na Câmara dos Deputados na atual legislatura, iniciada em 2015. Nem mesmo a disposição do chefe do Palácio do Planalto de concorrer à reeleição, que poderia dar novo ânimo à sigla, deteve a perda de deputados.

Com o encerramento neste mês da “janela” que permitiu a livre migração de deputados entre as legendas, o MDB se viu reduzido de 65 vagas para 51 na Câmara. Assim, perdeu o status de maior bancada para o PT (que tem 60 das 513 cadeiras) e agora divide com o PP (Partido Progressista) de Paulo Maluf, que também tem 51 deputados, a segunda colocação.

A explicação para o encolhimento passa pela baixíssima popularidade do governo Temer, mas tem como principal ingrediente o instinto de sobrevivência dos congressistas, que buscam nos estados melhores condições financeiras e políticas para se reeleger.

O Rio de Janeiro é um caso emblemático. A ruína da gestão do partido no Estado e os escândalos de corrupção levaram 7 dos 10 emedebistas de lá a buscarem uma nova casa. Só restaram o ex-ministro do Esporte Leonardo Picciani (filho do vereador fluminense Jorge Picciani, que está em prisão domiciliar), Marco Antônio Cabral (filho do ex-governador Sérgio Cabral, preso desde o final de 2016) e Celso Jacob, que cumpre pena no presídio da Papuda, em Brasília.

O líder da bancada do partido na Câmara, Baleia Rossi (SP), diz que todas as defecções tiveram motivações locais, sem relação com Temer: “Conheço cada uma das razões e digo que todas tiveram motivação regional, sem exceções”.

Concorrência

Também murcharam de 2015 para cá o PT (que mesmo perdendo oito vagas ainda conseguiu manter a liderança), o PSDB (6), o PSB (8), e o PTB (10), dentre outras siglas. A Rede, da presidenciável Marina Silva, também tem uma situação precária. De quatro parlamentares, passou para dois, ocupando a “vice-lanterna” da Câmara (à frente, apenas, do PPL).

“Eu sei que a gente tem que bater córner e correr pra cabecear, mas eu e o João Derly [RS] vamos nos revezando e estamos com nossa posição presente em todas as sessões”, afirma Miro Teixeira (Rede-RJ), que equivale agora a 50% da bancada do partido.

O principal êxito coube ao DEM, que dobrou a bancada eleita e hoje, com 43 cadeiras, é a quinta maior da Casa. A sigla, que já foi uma das mais poderosas do país sob o nome PFL, cresce agora na esteira das vitórias de Rodrigo Maia (RJ) nas eleições para presidente da Câmara e na esperança de que ele consiga se viabilizar como candidato de centro do Planalto.

Apesar de ter sido atingido em cheio pelo escândalo da Lava Jato, o PP não tem candidato ao Planalto, o que lhe permite reservar mais recurso públicos para as campanhas dos deputados – atrativo que se mostrou capital no atual troca-troca.

Outras siglas que cresceram consideravelmente foram o PSL de Jair Bolsonaro (de um para oito deputados), o Podemos de Álvaro Dias (de quatro para 17), ambos presidenciáveis, e o PR do ex-deputado Valdemar Costa Neto (de 34 para 41).

Janela”

Devido a uma lei aprovada em 2015 pelo Congresso, a cada ano eleitoral uma “janela” de 30 dias é aberta para que os parlamentares mudem de legenda sem risco de perda do mandato. A atual se encerrou no dia 6. Como as siglas não são obrigadas a divulgar essas migrações, o número exato de trocas só será sabido quando a Justiça Eleitoral divulgar a relação atualizada dos filiados aos partidos.

Segundo informações da Câmara e dos próprios partidos, ao menos 95 deputados mudaram de casa no último mês – ou 19% do total. As questões ideológicas ou programáticas são motivos marginais para as movimentações. O objetivo principal é conseguir melhores condições para a reeleição, incluindo dinheiro público para campanhas e controle dos diretórios regionais das legendas.

Conforme relatos de 56 deputados de 19 legendas, ouvidos em fevereiro pelo jornal “Folha de S.Paulo”, partidos ofereciam de R$ 1 milhão a R$ 2,5 milhões de dinheiro público de campanha para tentar atrair novos quadros. A verba partidária e eleitoral e o tempo na TV são distribuídos de acordo com o desempenho das siglas na disputa das vagas à Câmara dos Deputados.

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