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Carlos Roberto Schwartsmann O médico tem que parecer médico

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editorias de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Depois de mais de 40 anos lecionando na Faculdade de Medicina de Universidade Federal estou assustado e triste com o novo padrão dos estudantes e dos novos médicos. Isto decorre da descomprometida educação familiar e da deficiente educação escolar. Nós não conseguimos mais construir uma relação médico-paciente educada e respeitosa!

Ao invés do questionamento inicial: “Muito prazer, em que poderia auxiliar o senhor?”, vem a evasiva e fria pergunta: “ E aí, qual é o problema?”

As palavras mágicas que demonstram afeto e respeito foram esquecidas: bom dia, por favor, senhor, senhora, obrigado, por gentileza, muito grato!

O novo conceito de liberalidade total modificou muito a sociedade e a formação dos novos doutores. Até os trajes e vestimentas clássicas dos médicos foram torpedeados e contestados.

No verão, frequentemente aparecem discussões acaloradas de porque seria desrespeitoso atender o paciente de bermudas ou até de chinelos de dedo: “O atendimento médico será o mesmo independente das minhas roupas”.

O conjunto sapatênis, calça jeans rasgada e estetoscópio no pescoço já se tornou um padrão!

Pela minha formação e educação, o médico tem que atender de jaleco branco. O avental branco é tradição. Símbolo de identidade! Transmite confiança, sensação de higiene e limpeza.

Hoje, só trabalho nos hospitais do Complexo Santa Casa, mas raramente, eventualmente, sou solicitado a opinar, com consentimento do médico assistente, sobre paciente internado em outro hospital. Sempre carrego um avental branco no porta-malas.

Outro dia, após uma avaliação, me dirigi a sala dos médicos para tomar um café. Estavam nas dependências do estar médico aproximadamente uma dezena de colegas debruçados nos computadores.

Um conhecido amigo, ao me ver, surpreso, depois de me saudar exclamou de brincadeira: “Todo de branco, até parece que é médico”!! Eu prontamente respondi em alto e bom som: “Eu sou MÉDICO, vocês é que não parecem ser!”
Todos viraram o rosto para me ver e até pensaram em alguma contestação, mas baixaram a cabeça pois admitiram que eu tinha razão.

Calça jeans e alpargatas não combinam com a liturgia do título de médico!

É um tiro no pé na relação médico-paciente!

Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editorias de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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