Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 20 de setembro de 2018
Bastou o Banco Central (BC) divulgar o comunicado sobre a decisão de manter os juros básicos em 6,5% ao ano, que os economistas já passaram a esperar uma alta da taxa Selic após as eleições. O Comitê de Política Monetária (Copom) deu muito peso para a piora do cenário externo e para o cenário eleitoral. Sem citar as pesquisas de intenção de voto, avisou que o risco de as reformas necessárias para a economia serem abandonadas aumentou. E que isso pode aumentar a inflação. As informações são do jornal O Globo.
No documento, o BC revelou que, se mantivesse os juros no atual patamar ao longo do ano que vem, a inflação chegaria a 4,5% em 2019. A meta que tem de ser cumprida pelo Copom é deixar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,25% no ano que vem.
Além da matemática, o BC alerta que há riscos que pode piorar ainda mais essa projeção. O cenário externo piorou e a eleição traz ainda mais incertezas para a mesa de decisões do Copom.
“Esse comunicado acendeu a luz amarela. Está claro que o cenário externo piorou. E a pauta vencedora da eleição pode contribuir para o balanço de riscos da inflação. Se uma pauta mais distante das reformas for a vencedoras, vamos ter uma tensão maior”, prevê o economista da Mongeral Aegon Investimento, Júlio César Barros.
Ele argumenta que o Banco Central não citou partidos ou candidatos para interferir no cenário eleitoral, mas apenas elencou a disputa eleitoral como um risco de a inflação subir ainda mais. Isso vai depender de como os agentes econômicos vão encarar o próximo governo.
“O Banco Central age corretamente ao ser suprapartidário.”
Eduardo Velho, economista-chefe da GO Associados, diz que o Banco Central deu sinais de que pode aumentar os juros após as eleições do mês que vem. Dependerá, entretanto, do comportamento do dólar e das propostas econômicas do próximo governo. Essas incertezas criam dúvidas apenas sobre o momento certo para elevar a Selic e sobre qual a magnitude do aumento.
“Está claro que o BC vai ter de subir juros, mas ainda não sabe quando e quanto”, frisou. “A questão política afeta o dólar e o BC está falando que tem autonomia para mexer na política monetária antes do esperado.”
Ele lembra ainda que o impacto da alta recente do dólar ainda não foi sentido na totalidade porque há empresas com estoques comprados quando a moeda americana estava mais baixa. Se a divisa subir ainda mais ao sabor das pesquisas eleitorais, a pressão será ainda maior.
“Está claro que ele está colocando a variável eleitoral como risco de subir. O BC vai ter de tomar uma decisão logo após as eleições”, fala o economista, que completa: “Vai ter de esperar a reação do dólar. Se a pressão recuar, pode ainda manter os juros como estão.”
No jargão dos economistas, o BC está mais “hawkish”, o que significa ter uma postura mais dura em relação à inflação com indicação de alta de juros. É o que acredita o economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos.
“Acreditamos que há um risco crescente de o Banco Central começar a normalizar a política monetária antes do fim do ano, particularmente se o cenário externo enfrentado pelas economias emergentes permanecer insosso e o real permanecer sob pressões de depreciação e, entre outras coisas, com a incerteza e a preocupação com a direção das políticas e as perspectivas para as reformas fiscais criticamente necessárias após a eleição”, escreve o analista para seus clientes.
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