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Colunistas O método

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(Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Passa o tempo e os métodos extremistas permanecem os mesmos. Existe, de fato, uma genealogia, uma coreografia cujo roteiro permite a ascensão e consolidação de regimes autoritários, ameaçando diretamente a estabilidade das democracias liberais contemporâneas. O método pelo qual esses movimentos têm se infiltrado nas instituições democráticas não ocorre de maneira súbita, mas sim por meio de estratégias graduais e sofisticadas que incluem a reinterpretação da história, a subversão do discurso político e o aparelhamento sistemático do Estado.
Há método quando, ao assumir o poder, esses grupos recorrem a práticas, inegavelmente eficientes, tais como a instrumentalização da mentira, do suborno e da intimidação para afastar servidores públicos de carreira, substituindo-os por aliados leais ao líder, e não à Constituição. O método é também notado quando, além disso, procuram capturar o sistema judiciário e a administração pública, comprometendo sua independência e convertendo-as em instrumentos de sustentação do governo.
O controle da comunicação é outro método observado. Para desarticular a mídia tradicional, governos autoritários utilizam mecanismos como o corte de verbas publicitárias, perseguição de jornalistas e acadêmicos, e a manipulação das grandes empresas de tecnologia para criar ecossistemas de desinformação e propaganda. O objetivo é eliminar qualquer contraponto à narrativa oficial e consolidar a hegemonia ideológica do regime.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o trumpismo emergiu como a vanguarda desse movimento global. O alinhamento entre figuras como Donald Trump, Elon Musk e outros expoentes da nova direita reflete uma tentativa coordenada, portanto metodológica, de subverter a ordem liberal em escala global. Plataformas como X (antigo Twitter) e Facebook, sob influência dessa ideologia, são transformadas em veículos de difusão de conteúdos antiliberais e antidemocráticos. Fora dos EUA, essa ofensiva se materializa na sustentação de lideranças alinhadas ao trumpismo, que buscam integrar seus países ao projeto da extrema-direita norte-americana, muitas vezes em detrimento dos interesses nacionais.
No campo geopolítico, o método autocrático prevê a ascensão dessa nova ordem autoritária diretamente nas relações internacionais. A política externa de Trump, a propósito, ameaça desestabilizar alianças estratégicas, como a OTAN, e pode levar a uma resolução forçada do conflito na Ucrânia, com a possibilidade de que os Estados Unidos reduzam seu apoio militar e financeiro, forçando Kiev a aceitar concessões territoriais a Moscou. Ao mesmo tempo, a Europa, sem o apoio americano, se vê encurralada por sua dependência econômica da China e energética da Rússia, ao mesmo tempo em que enfrenta o avanço da extrema-direita em diversos países, tornando-se um bloco cada vez mais fragmentado e vulnerável.
O método incorpora ainda um discurso antissistema, travestido de conservadorismo, que é, na verdade, uma tentativa de demolir as bases do pluralismo político e da negociação institucional, substituindo a democracia por regimes autocráticos centralizados na figura de um líder carismático. Esse fenômeno representa não apenas um retrocesso político, mas um risco existencial para as democracias modernas, que se veem desafiadas por um movimento que avança sem pudor na consolidação de um novo autoritarismo global.
Contudo, é importante ponderar que a direita historicamente conservadora nos costumes e liberal na economia é essencial ao equilíbrio das forças políticas em qualquer sistema democrático. Ocorre que, no Brasil, e em boa parte do mundo, essa direita tradicional foi capturada pelo discurso populista, que se arvora liberal, mas de fato é obtuso e intolerante. É essa direita que precisa ser vigiada quanto ao seu obscurantismo, sua retórica anticiência, antidireitos humanos, antiagenda ambiental.  É, convenhamos, uma direita tosca, uma caricatura do liberalismo que vemos gritar todos os dias por mais liberdade, enquanto busca paradoxalmente subvertê-la.
edson bundchenEdson Bündchen
* Instagram: @edsonbundchen

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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Adalberto Meneguzzi
20 de março de 2025 13:12

Concordo plenamente! Também pensei que, no início do texto, ele estava se referindo ao caso brasileiro atual, relatando exatamente o que está ocorrendo aqui. Mas, sem nenhuma relação com o exposto, partiu para o ataque contra a direita que, aliás, não domina autoritariamente nenhum país no mundo, ao contrário do socialismo/comunismo! Quanto a Trump, ele está apenas representando os interesses do país onde foi eleito para isso. O que ele está fazendo é tirar das costas dos USA a obrigação de bancar financeiramente tudo no planeta, inclusive a proteção da Europa, onde os países são ricos e deveriam se defender… Leia mais »

Marcos Alves
20 de março de 2025 10:51

Mas esse Jornalista tem muita experiência e conhecimento naquilo q escreve. Dá para resumir todo o texto com a seguinte frase: “acuse-os daquilo q vc faz”…eu tive a nítida impressão q ele se referia a nossa extrema esquerda, como PT e PSOL, porém atribuiu as práticas ao outro lado. Me parece um Colunista bem medíocre e com idéias e discursos que já foram ultrapassados, poucos inocentes ainda acreditam nessa retórica idiota.

João Souza
20 de março de 2025 13:59

Concordo. Pensei que era um jornalista sério e isento. Me enganei. É mais um comunista de esquerda enrrustido. No início também pensei que se referia à esquerda do Brasil. O cara é petista roxo.

Fernando Krause
20 de março de 2025 11:15

Seria equilibrado e transparente o colunista discorrer sobre os danosos efeitos da esquerda mundial e seus interesses comunistas disfarçados de “socialistas”, que se espalham rápido e assustadoramente pelo globo terrestre.

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