Sábado, 17 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de novembro de 2017
O Ministério da Agricultura afirmou nesse sábado que não foi informado oficialmente sobre a decisão da Rússia de impor barreiras adicionais contra importação de carne de frigoríficos brasileiros, após a identificação, em produtos adquiridos, de substâncias que não se enquadram nos padrões sanitários exigidos pelas autoridades de Moscou.
“O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento não foi notificado sobre a decisão da Rússia em relação a suspensão temporária de alguns frigoríficos brasileiros. Diante disso, o Mapa não tem como se posicionar a respeito do assunto”, disse o ministério em nota.
Já o titular da pasta, Blairo Maggi, avaliou como normal a decisão. “Esses procedimentos são atitudes quase corriqueiras no mercado. Às vezes, há um lote que está fora do padrão, não está em conformidade. Eles fazem uma suspensão temporária para o produto voltar ao mercado”, afirmou. “É preciso ver qual é o problema e resolver.”
Em um despacho publicado em seu site oficial, o Serviço Federal de Vigilância Sanitária e Veterinária do país europeu anunciou a suspensão temporária das importações de carne bovina do frigorífico brasileiro MataBoi, citando substâncias fora do padrão sanitário russo.
A medida passará a valer a partir do dia 15 deste mês. Para os produtos embarcados antes dessa data, serão feitas inspeções adicionais. A decisão vale também para a gordura e miúdos bovinos produzidos pela MataBoi. As autoridades russas não informaram até quando a suspensão das compras estará em vigor.
Por meio de sua assessoria, o MataBoi afirmou que ainda não tem detalhes da decisão do governo russo. A empresa ressaltou que vai verificar o que ocorreu para regularizar a situação. A empresa ressaltou que não houve alteração na produção e compra de bois, pois direcionará suas vendas, nesse período, para outros mercados. O Mataboi ainda destacou que esses procedimentos são comuns no mercado de carnes.
Outras empresas
Para outros cinco frigoríficos, a autoridade sanitária russa impôs novas restrições para a importação de carne, fixando controles sanitários mais rígidos. Conforme o despacho publicado no site da agência russa, essas novas restrições estão em vigor desde o dia 30 de outubro.
Foram alvo das novas restrições a carne bovina vendida pelos seguintes frigoríficos: JBS/Friboi, Frigo Estrela, Frigol e Frigon – Irmãos Gonçalves. Também foi alvo de restrição a compra de carne de porco do frigorífico Aurora.
Carne Fraca
Desde março, quando a Polícia Federal desencadeou a operação Carne Fraca, para investigar denúncias de que frigoríficos pagavam propina a fiscais do Ministério da Agricultura para obterem a liberação de carnes, vários países anunciaram a suspensão parcial ou total de importações de carnes do Brasil.
Na avaliação do ministro da Agricultura, porém, a decisão de Moscou nada tem a ver com a força-tarefa, deflagrada em março deste ano para combater corrupção de agentes púbicos federais e crimes contra a saúde pública, que denunciou irregularidades cometidas em frigoríficos do país. “Trata-se de algo que deve ter surgido no embarque. É um problema apenas que temos de resolver.”
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