Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 13 de março de 2021
Uma reunião de urgência realizada entre o Ministério da Economia, a Anvisa e o Ministério da Saúde para tratar do desabastecimento de enoxaparina sódica, uma classe de medicamentos anticoagulantes usados nas UTIs em razão da covid-19 terminou sem resultado na sexta-feira (12).
A pasta de Paulo Guedes teria a informação de que laboratórios têm o medicamento em estoque, mas não vendem porque o preço ficaria abaixo do custo de importação. Alertada para o risco de desabastecimento, convocou a reunião da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.
No encontro, a equipe econômica propôs equiparar por seis meses o preço do remédio importado aos similares nacionais. Mas a Anvisa e o Ministério da Saúde pediram vista do caso — querem analisar todos os outros medicamentos usados no tratamento contra a covid-19 que estão na mesma situação.
Agora, a discussão só será retomada em duas semanas. Um secretário do Ministério da Economia desabafou que “a burocracia custa muitas vidas no Brasil”.
Fronteiras
O agravamento da pandemia de coronavírus no Brasil, com recorde de casos e de óbitos, está levando os países vizinhos a reforçarem suas medidas contra o avanço da doença nas fronteiras.
Na madrugada de sábado (13), foi publicada no Diário Oficial da Argentina a medida que restringe ainda mais os voos com destino para o Brasil, além do México, Peru, Chile e Estados Unidos. No início do ano, o governo já tinha determinado a redução de 50% dos voos de entrada e saída do Brasil. O corte das viagens aéreas para o Brasil agora será de mais 20%.
Os turistas estrangeiros, de países limítrofes, já não poderão entrar na Argentina também por terra. Atualmente, somente argentinos e residentes podem entrar no território argentino.
“Existe um aumento preocupante de casos (de coronavírus) na região. Com as novas medidas, queremos ganhar tempo para ampliar a vacinação das pessoas dos grupos de risco”, disse a ministra da Saúde, Carla Vizzotti. O ministro da Saúde do Uruguai, Daniel Salinas, informou em suas redes sociais que enviaria mais doses de vacinas contra a covid-19 para “blindar” e “resguardar” a região na fronteira com o Brasil.
A preocupação cresceu na semana passada, disseram fontes uruguaias, quando surgiram informações sobre o drama sanitário em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, com a falta de leitos e a escalada no número de vítimas fatais de covid-19.
“Estamos muito preocupados e especialmente com a variante P.1, a cepa de Manaus, desde que a situação se agravou em Porto Alegre. Nosso país tem muita ligação com o Sul do Brasil”, disse à BBC News Brasil o virologista uruguaio Rodney Colina.
Ele integra o consórcio de sequenciamento do genoma de coronavírus, formado pelo governo uruguaio, a Universidade da República e o Instituto Pasteur, de Montevidéu. Os pesquisadores do consórcio rastreiam as cepas do vírus no país, que podem ser tanto as do Brasil como as da Europa, disse Colina.
Ele afirmou que, no caso das variações detectadas incialmente no Brasil, até poucos dias, a “P.1 não tinha entrado e a P.2, a do Rio de Janeiro, sim ingressou” no Uruguai.
Especialista do laboratório Cenur Litoral, da cidade de Salto, ligado à Universidade da República, o virologista explicou que a preocupação é justificada pela “rapidez com que o vírus se propaga”, e que esta forte transmissibilidade poderia “pressionar a rede de saúde” uruguaia.
Com cerca de 3,5 milhões de habitantes, o Uruguai iniciou há cerca de dez dias a campanha nacional de vacinação contra a covid-19. Na quarta-feira (10), o governo enviou doses de reforço para Rivera, departamento limítrofe com Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul. Rivera registra os maiores índices de covid-19 no território uruguaio, seguida de Cerro Largo, também na fronteira com o Brasil.
As doses da CoronaVac, contaram assessores uruguaios, deverão imunizar pessoas de idade entre 18 e 59 anos que tenham tido alguma comorbidade.
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