Quinta-feira, 29 de Outubro de 2020

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Rio Grande do Sul O Ministério Público deflagrou em Porto Alegre uma operação contra possível desvio de valores em sindicatos de atletas

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Esquema envolve movimentações financeiras suspeitas em três entidades. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Por meio de sua Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, o (Ministério Público) do Rio Grande do Sul cumpriu na manhã desta quarta-feira (30) uma série de mandados de busca e apreensão, no âmbito da operação “SindiCasta”. O alvo são movimentações financeiras realizadas de forma suspeita, desde 2015, por associações representativas de trabalhadores do esporte.

As investigações apontaram indícios de desvio de valores de entidades ligadas a atletas profissionais, amadores ou inativos. É o caso do SiafMPA (Sindicato dos Atletas Profissionais de Futebol no Município de Porto Alegre), Siapergs (Sindicato dos Atletas Profissionais no Estado do Rio Grande do Sul) e Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol).

De acordo com MP-RS, os suspeitos integravam a direção das entidades, revezando-se há pelo menos cinco anos em cargos que contemplavam, de forma estratégica, tanto funções administrativas quanto de presidência e vice-presidência. Departamentos financeiros também estavam na mira do suposto esquema.

As investigações, ainda em andamento, indicam um um possível desvio de valores superiores a R$ 8 milhões, nos últimos cinco anos, por uma associação criminosa que se instalou no SiafMPA e no Siapergs. Saques em dinheiro eram retirados dos cofres das entidades sem que fossem percebidos, o que reforçaria a participação de pessoas ligadas à área financeira ou direção.

Após os desvios, os investigados, por meio de manobras características da prática des crimes de lavagem de capitais, realizaram depósitos em nome de terceiros, muitos desses parentes ou pessoas próximas. A finalidade era dificultar a localização dos valores apropriados.

De acordo com o titular da Promotoria Especializada Criminal de Porto Alegre responsável pela investigação, Flávio Duarte, ao mesmo tempo em que se percebeu o desvio de valores de dentro dessas entidades, os atletas profissionais do Estado, em sua maioria, contraditoriamente, vivem com salários muito baixos. “Eles têm passado por situações de penúria em razão da pandemia, que resultou na suspensão dos jogos”, lamentou.

ONGs

Já a Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira a operação “Casa das Ilusões”, com o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão em Santa Maria (Região Central) e Pelotas (Sul). Na mira, um alvo um grupo criminoso que vinha agindo nas ONGs (Organizações Não Governamentais) Casa Maria e Afecriança.

Foi apreendida uma grande quantidade de documentos, agendas, computadores, telefones e celulares, além de realizado o sequestro de bens como veículos e imóveis. A ofensiva tem por finalidade afastar os gestores, funcionários e membros das diretorias das duas entidades, bem como bloquear bens móveis e imóveis de pelo menos 22 supostos integrantes do esquema.

As investigações iniciaram após uma denúncia anônima de que o grupo desviava doações destinadas às ONGs. Apesar da prestação de atendimentos a pacientes, essa atividade servia para mascarar a irregularidade.

Para isso, no âmbito da Casa Maria estariam sendo criadas campanhas para assistência a destinatários inexistentes e arrecadação de doações para compras de produtos cujo montante supera o efetivamente necessário, inclusive com dados de pacientes já falecidos.

Dentre os fatos apurados, verificou-se o que até uma cadeira de rodas elétricas, entregue por um doador, foi levada para a casa dos gestores para uso próprio. Imagens registradas pela investigação flagram crianças brincando com a cadeira no condomínio do casal investigado.

(Marcello Campos)

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