Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de abril de 2021
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (27) que o Estado “quebrou” e que, diante da escassez de recursos, o setor público não terá capacidade de atender à demanda crescente por atendimento na área da saúde. Guedes deu a declaração durante reunião do Consu (Conselho de Saúde Suplementar), no Palácio do Planalto.
“O Estado quebrou”, disse o ministro. “Todo mundo vai procurar serviço público, e não há capacidade instalada no setor público para isso. Vai ser impossível”, declarou.
De acordo com o ministro, não foi a pandemia que tirou a capacidade de atendimento do setor público mas sim “o avanço na medicina” e “o direito à vida”.
“Todo mundo quer viver 100 anos, 120, 130 [anos]”, declarou Guedes. Segundo ele, “não há capacidade de investimento para que o Estado consiga acompanhar” a busca por atendimento médico crescente.
Guedes também afirmou que o poder público no Brasil gasta demais, sofre com corrupção e não sabe gerir bem o dinheiro público. E disse prever que, no futuro, o setor privado vai responder pela maior parte do atendimento na área da saúde no país.
O ministro citou ainda a possibilidade da criação de “vouchers” (vales), pagos pelo governo à população para que ela receba atendimento de saúde na rede privada.
“Você é pobre, você tá doente, tá aqui seu ‘voucher’. Vai no [hospital Albert] Einsten, se você quiser. Vai aonde você quiser, tá aqui o ‘voucher’. Se quiser, você vai no SUS”, disse Guedes.
Integração dos sistemas de saúde
Também presente à reunião do Consu, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, destacou que a integração dos sistemas de saúde é essencial para que o Brasil possa superar a crise causada pela pandemia de Covid-19. O ministro reforçou que, assim como o sistema público, a saúde particular têm papel fundamental para enfrentar a pandemia.
“Felizmente temos assistido a uma diminuição do número de diagnósticos nos últimos dias, e uma consequente redução do número de óbitos. Ainda temos um número elevado e, claro, não gostaríamos de perder tanta gente. Mas essa redução tem diminuído a pressão sobre o sistema de saúde e o consumo de insumos estratégicos. O Ministério da Saúde trabalha para que não falte vacinas, medicamentos de intubação, oxigênio e outros insumos”, afirmou o ministro.
Queiroga detalhou ainda o trabalho da pasta para evitar o desabastecimento de medicamentos e equipamentos no País. “Tem sido grande o nosso esforço junto a organismos multilaterais, relações bilaterais com nossos parceiros e intensas negociações com empresas do Brasil e do exterior”, disse.
Durante a reunião, Queiroga deixou claro que o objetivo do Consu não é intervir na saúde suplementar e pontuou que a rede particular é responsável por atender milhões de brasileiros. Cerca de 48 milhões de pessoas são beneficiárias de planos de saúde, o que representa mais de um quinto da população do país.
O encontro contou, ainda, com a presença do secretário Executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz; do assessor especial da pasta, Daniel Pereira; do ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos; e da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres. As informações são do portal de notícias G1 e do Ministério da Saúde.
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