Segunda-feira, 05 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de maio de 2020
No vídeo da reunião citada por Sérgio Moro e exibido nessa terça-feira (12) aos investigadores, o chefe da pasta da Educação, Abraham Weintraub, defendeu a prisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo relatos de quatro pessoas que assistiram a gravação da reunião ministerial de 22 de abril, Weintraub afirmou que “tem que mandar todo mundo para a cadeia, começando pelo STF”. A declaração do titular da Educaçao não surpreendeu os ministros do Supremo.
Os presentes relataram que a frase foi dita enquanto o Weintraub criticava as pessoas que atuam nos Poderes em Brasília. Como o jornal O Globo informou, na mesma reunião o presidente Jair Bolsonaro disse que a troca do comando da PF (Polícia Federal) no Rio teria o objetivo de proteger seus familiares e aliados.
O vídeo do encontro também traz falas da ministra da Mulher, da Família, e dos Direitos Humanos, Damares Alves, defendendo a prisão de prefeitos e governadores.
A gravação, com mais de duas horas de duração, foi assistida nessa terça por Sérgio Moro, que estava acompanhado de seus advogados. Também estavam presentes policiais federais, procuradores da equipe da Procuradoria-Geral da República e integrantes da Advocacia-Geral da União, responsáveis pela defesa de Bolsonaro. Todos tiveram que deixar os telefones celulares do lado de fora da sala.
Quatro fontes que assistiram nessa terça ao vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, exibido a advogados e investigadores em Brasília, confirmaram à TV Globo e à GloboNews os motivos externados pelo presidente Jair Bolsonaro para exigir a troca do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
Segundo esses relatos, no vídeo – exibido de forma reservada no Instituto Nacional de Criminalística por determinação do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, responsável pelo inquérito que apura suposta interferência de Bolsonaro na PF – o presidente menciona preocupação com a família ao falar da necessidade de trocar o superintendente da PF no Rio.
De acordo com as fontes, Bolsonaro menciona na reunião que não quer os “familiares” prejudicados.
O presidente usou palavrões ao tratar do tema, segundo essas fontes. E disse que se não conseguisse trocar o superintendente do Rio, então trocaria o diretor-geral da PF – à época Maurício Valeixo – ou, por último, o ministro da Justiça – à época, Sérgio Moro.
Um dos presentes à exibição do vídeo relatou que Bolsonaro disse: “Já tentei trocar o chefe da segurança do Rio de Janeiro. Se não posso trocar, troco o chefe dele, troco o ministro”.
“Não vou esperar foder alguém da minha família. Troco todo mundo da segurança. Troco o chefe, troco o ministro”, de acordo com o relato obtido pela TV Globo.
Investigadores afirmaram que as declarações do presidente nessa reunião mostram um interesse familiar, pessoal, por trás da intenção da troca.
Tudo o que o presidente ameaçou fazer na reunião de fato aconteceu: Bolsonaro exonerou o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo; Moro pediu demissão após o episódio e acusou o presidente de tentar interferir politicamente na PF; o presidente nomeou o amigo Alexandre Ramagem para diretor-geral da PF; impedido pelo STF de nomear Ramagem, Bolsonaro empossou o delegado Rolando Alexandre de Souza, subordinado a Ramagem na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para comandar a PF. O primeiro ato de Rolando foi mudar o superintendente da PF no Rio.
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