Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de abril de 2018
O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, determinou que a PF (Polícia Federal) apure um possível vazamento de informações de um inquérito no qual o presidente Michel Temer é investigado. A decisão foi tomada a pedido do próprio chefe do Executivo, após o jornal “Folha de S.Paulo” publicar nessa sexta-feira uma reportagem revelando que a PF pretende prorrogar a uma investigação contra ele por suspeita de lavagem de dinheiro.
“No Estado democrático de Direito, não é admissível comprometer o legítimo direito de defesa e a presunção de inocência de qualquer cidadão ou do presidente da República”, diz a nota assinada pelo titular da pasta. “A violação do sigilo profissional pelos responsáveis pela condução dessa ou de qualquer outra investigação é uma conduta passível de sanção administrativo-disciplinar, cível e penal. Além disso, depõe contra o reconhecido profissionalismo das instituições investigadoras.”
Pronunciamento
Pela manhã, Temer fez um pronunciamento à imprensa. Durante a fala, marcada por críticas à reportagem, o emedebista se disse vítima de “uma perseguição criminosa disfarçada de investigação”.
“Como que a imprensa consegue essas informações?”, questionou o presidente da República. “Eu duvido que os jornalistas entrem de madrugada, na Polícia Federal ou onde quer que seja, sorrateiramente, para obter acesso a esses dados. Alguém naturalmente está vazando essas informações.”
Temer declarou, ainda, que as investigações têm como propósito um ataque moral. Ele sugeriu que Jungmann, responsável por um Ministério à qual a Polícia Federal é subordinada, peça a apuração do vazamento. O emedebista é investigado no STF (Supremo Tribunal Federal) em um inquérito sobre a edição de um decreto que beneficiou empresas do setor portuário.
Suspeita
A principal suspeita da Polícia Federal é de que ele tenha praticado a lavagem de dinheiro de propina por meio do pagamento de reformas em casas de familiares. Também teria dissimulado transações imobiliárias em nomes de terceiros, na tentativa de ocultar bens. A primeira-dama, Marcela Temer, e o filho do casal são donos de alguns desses imóveis.
Na quinta-feira, a PF enviou ao Supremo um pedido de prorrogação do prazo do inquérito, por mais 60 dias. Até agora, a investigação aponta que o presidente recebeu, por meio do ex-coronel João Baptista de Lima Filho, ao menos R$ 2 milhões de propina em 2014.
Nesta segunda fase da apuração, o objetivo dos investigadores é aprofundar a conexão entre os serviços prestados aos familiares de Michel Temer e concluir a análise de material apreendido com alvos da operação Skala. A força-tarefa foi deflagrada no fim de março e chegou a manter presos por dois dias alguns dos amigos próximos do presidente, com o próprio “Coronel Lima”.
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