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Política O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi cobrado em reunião no Palácio da Alvorada: “O Itamaraty precisa funcionar”, disse o presidente da Câmara dos Deputados

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A percepção é de que Ernesto Araújo está na linha de tiro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Sob pressão política crescente, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi cobrado de forma contundente na reunião realizada no Palácio da Alvorada para definir a montagem de um comitê de crise contra a pandemia. Segundo informações do jornal Valor Econômico, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse ao chanceler que o Itamaraty “precisa funcionar”.

Lira se referia à tímida atuação da diplomacia brasileira na busca por vacinas pelo mundo. De acordo com participantes da reunião, Araújo foi chamado pelo primeiro nome em duas ocasiões, demonstrou um certo desconforto com a reprimenda e deixou o encontro pouco tempo depois.

A cobrança pública durante a reunião só reforçou a percepção de que Araújo está na linha de tiro. Como o titular da Saúde, Marcelo Queiroga, acabou de assumir, o do Itamaraty acabou sendo o principal alvo no encontro entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, Lira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, o presidente do Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, o procurador-geral da República, Augusto Aras, o ministro do TCU, Bruno Dantas, e sete governadores.

Nesta quinta-feira (25), o presidente do Senado voltou a cobrar mudanças na política externa do país, como forma de facilitar a aquisição de vacinas contra a covid-19. Ele lembrou que a sessão especial realizada na quarta-feira (24) com Ernesto Araújo já serviu como um alerta para o governo federal. Segundo Pacheco, um dos erros do governo durante a pandemia foi a falta de negociação no ambiente externo. Ele afirmou, porém, que ainda há tempo de mudar a política externa “para salvar vidas”.

Sobre uma possível saída do ministro Ernesto Araújo, o presidente do Senado não quis opinar. Ele afirmou que a saída e a entrada de ministros competem exclusivamente ao presidente da República. Para Pacheco, o que é necessário agora é a mudança dos rumos da política externa, para que o Brasil consiga parcerias que facilitem a aquisição de vacinas. Ele disse que o trabalho do Ministério das Relações Exteriores está “muito aquém do que o Brasil precisa”. “O que tem que mudar é a política externa do Brasil. Todos enxergam a necessidade um ambiente de maior diplomacia”, declarou.

Em sessão remota na quarta-feira (24), senadores apontaram a responsabilidade do Itamaraty pelo atraso no acesso a vacinas e insumos vindos de outros países para o Brasil. Eles cobraram do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, gestões diplomáticas para acelerar a obtenção de imunizantes contra a Covid-19 e pediram a renúncia do ministro.

Autor do requerimento para a sessão, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) apontou diversas falhas na condução da política externa durante a pandemia, com declarações ofensivas contra outros países por parte de integrantes do governo. Ele questionou o ministro sobre o motivo de descumprir seu papel constitucional e atuar contra interesses do Brasil “com viés ideológico e contrário às recomendações diplomáticas e da ciência”.

“Perdoem-me por ter sido, talvez, contaminado com a emoção, mas quando se fala de vida, estou falando de história, de relações, de famílias dilaceradas pela Covid-19, mas que tem a digital inegável do presidente da República, do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Saúde”, lamentou o senador. As informações são do jornal Valor Econômico e da Agência Senado.

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