Sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 31 de março de 2018
O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, será o novo presidente do BNDES. A decisão foi tomada em reunião neste sábado (31) no Palácio do Jaburu e compõe o desenho da nova equipe econômica do governo, que deve ser fechado até domingo (1º) pelo presidente Michel Temer.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Guardia, vai assumir o comando da pasta no lugar de Henrique Meirelles, que deixará o cargo para tentar viabilizar sua candidatura ao Palácio do Planalto, enquanto o secretário-executivo do Planejamento, Esteves Colnago, deve ser promovido a ministro, com o objetivo de manter a atual condução da área.
A composição final da equipe econômica deve ser fechada neste domingo, após reunião entre Meirelles e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), que tem influência no Planejamento e patrocinou a ida de Dyogo para o comando do BNDES, um dos principais braços de liberação de recursos neste ano eleitoral.
Meirelles queria fazer Guardia seu sucessor e indicar o secretário Mansueto Almeida (Acompanhamento Fiscal) para o Planejamento, mas os planos do ministro esbarraram nos de Jucá. Na conversa deste domingo, ambos vão fechar justamente o comando da pasta que era comandada por Dyogo.
O senador trabalhou para empossar Dyogo no banco estatal contanto que o sub do ministro, Colnago, assumisse o Planejamento.
De acordo com aliados, Meirelles não vai insistir na nomeação de Mansueto e, portanto, deve prevalecer o projeto de Jucá. A ida de Dyogo para o BNDES agrada ao Planalto, que o vê como uma pessoa de sua confiança, capaz de reverter a fragilidade institucional enfrentada pelo banco após as denúncias envolvendo operações com a JBS e as empreiteiras da Lava Jato.
Dyogo terá como um dos objetivos pacificar a relação do banco com as instâncias de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União). Além disso, deverá ampliar a interlocução com o setor privado, fundamental para fazer deslanchar as concessões de infraestrutura hoje emperradas.
Caberá ao BNDES, nesta estrutura, viabilizar essas concessões e garantir o financiamento na parte mais crítica dos projetos, no seu início. Depois disso, o banco deverá coordenar a troca para o financiamento privado, via operações financeiras como a securitização de recebíveis.
Para fechar a equação que envolvia a indicação da cúpula do PP — e, consequentemente, o ciclo da equipe econômica—, Temer aceitou a ascensão do vice-presidente de Habitação, Nelson Antonio de Souza, ao comando da Caixa Econômica Federal. O atual presidente, Gilberto Occhi (PP), vai para o Ministério da Saúde.
Dyogo Oliveira
Dyogo Henrique de Oliveira, natural de Araguaína (TO), é economista, mestre em Ciências Econômicas pela UnB (Universidade de Brasília) e especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental pela ENAP (Escola Nacional de Administração Pública), desde 1998. Ele também é especialista em Comércio Exterior, Negociações Internacionais e Câmbio pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
De 2000 a 2005, desempenhou diversas atividades na Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. De 2006 a 2007, foi coordenador-geral de Análise Setorial, inicialmente, na Secretaria de Acompanhamento Econômico e, posteriormente, na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
De 2008 a 2011, Oliveira atuou como secretário-adjunto na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Em seguida, de 2011 a 2014, ainda na Fazenda, ocupou os cargos de secretário-executivo adjunto e secretário-executivo interino. Foi nomeado, em janeiro de 2015, como secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. De janeiro a maio de 2016 atuou como secretário-executivo do Ministério da Fazenda. A partir de então foi ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão.
Guardia
Guardia é doutor em Economia, pela USP (Universidade de São Paulo). Foi pesquisador da área fiscal do Instituto de Economia do Setor Público da Fundação para o Desenvolvimento Administrativo antes de assumir cargos no Executivo.
A partir de 1993, ocupou vários postos no governo do Estado de São Paulo. Foi assessor do secretário de Planejamento e Gestão, assessor do coordenador de crédito e do patrimônio da secretaria da Fazenda paulista, chefe da assessoria econômica do secretário adjunto também na secretaria de Fazenda.
Na sequência, inicio a trajetória no governo federal. Foi secretário do Tesouro Nacional no último ano de Fernando Henrique Cardoso, foi secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Entre 2003 e 2006, voltou a São Paulo como secretário de Fazenda de Alckmin. Esteve na iniciativa privada. Foi diretor executivo da BM&F Bovespa entre 2013 e 2015, quando então foi chamado por Meirelles para voltar ao Ministério da Fazenda.
Os comentários estão desativados.