Quarta-feira, 05 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 4 de agosto de 2026
Quando se fala em envelhecimento facial, rugas, flacidez e perda de volume costumam ser as primeiras mudanças lembradas. Mas existe uma região que também acompanha esse processo e muitas vezes só chama atenção com o passar dos anos: o nariz. A sensação de que ele ficou mais comprido, maior ou com a ponta mais caída após os 40 anos é uma percepção comum e está relacionada a transformações naturais da estrutura facial.
Apesar da ideia popular de que o nariz continua crescendo ao longo da vida, especialistas explicam que o que ocorre é uma combinação de mudanças nos tecidos que sustentam a região. A pele perde elasticidade, os ligamentos ficam menos firmes e as cartilagens passam por alterações que podem modificar gradualmente o formato e a posição da ponta nasal.
Segundo o otorrinolaringologista e cirurgião da face Guilherme Scheibel, o processo não representa um aumento real do nariz, mas uma mudança na forma como suas estruturas se comportam com o envelhecimento.
“Não é que o nariz simplesmente ‘cresça’ ou despenque com o tempo. O que acontece é um enfraquecimento gradual dos tecidos que sustentam a ponta nasal, incluindo cartilagens, ligamentos e pele. Com isso, a ponta perde parte da projeção e pode assumir uma posição mais baixa ao longo dos anos. Essa é uma mudança natural do envelhecimento facial e varia bastante de acordo com as características individuais de cada pessoa”, explica.
Além da própria estrutura nasal, a transformação também está relacionada ao conjunto do rosto. Como outras áreas da face também mudam com o tempo, a proporção entre nariz, boca, queixo e maçãs do rosto pode se modificar, tornando a região mais evidente.
A pele também influencia esse processo. Com a redução gradual da produção de colágeno e da elasticidade dos tecidos, a sustentação da região pode diminuir, especialmente em pessoas com pele mais espessa ou histórico de exposição solar intensa.
“Com a redução da produção de colágeno e da elasticidade da pele, ocorre uma perda gradual da sustentação dos tecidos superficiais do nariz. Esse processo acontece em conjunto com as alterações das cartilagens e dos ligamentos, que também passam por transformações naturais. O resultado são mudanças discretas na aparência, que se tornam mais perceptíveis conforme o envelhecimento avança”, afirma.
As cartilagens responsáveis por parte do formato e da sustentação nasal também acompanham essas mudanças. Com o passar dos anos, podem perder resistência e, em alguns casos, influenciar não apenas a aparência, mas também a passagem de ar.
“As cartilagens nasais passam por um processo natural de envelhecimento, perdendo parte da resistência e da capacidade de sustentação. Isso pode modificar o formato do nariz e, em alguns pacientes, interferir também na função respiratória. Por isso, em pacientes mais maduros, a avaliação deve considerar não apenas a aparência externa, mas também a qualidade das estruturas internas do nariz”, diz.
A relação entre envelhecimento nasal e respiração costuma passar despercebida. Algumas pessoas procuram atendimento por dificuldade para respirar e descobrem que parte do desconforto pode estar associada às alterações estruturais da região.
“Quando ocorre perda de sustentação das estruturas nasais, o fluxo de ar também pode ser comprometido. Alguns pacientes procuram atendimento por dificuldade para respirar e descobrem que parte desse problema está relacionada às alterações estruturais provocadas pelo envelhecimento. Por isso, é fundamental avaliar o nariz como um órgão funcional, além da sua característica estética”, detalha.
A intensidade dessas mudanças varia de pessoa para pessoa. Fatores genéticos, espessura da pele, formato original do nariz e hábitos ao longo da vida influenciam a forma como o envelhecimento aparece. Exposição solar excessiva, tabagismo e perda de qualidade da pele podem acelerar essas transformações.
“Cada paciente apresenta um processo de envelhecimento diferente. Pessoas com pele mais espessa, cartilagens mais resistentes e hábitos saudáveis podem apresentar alterações mais discretas ao longo da vida. Já fatores como tabagismo, exposição solar excessiva e perda importante de colágeno podem acelerar essas mudanças e tornar seus efeitos mais visíveis”, acrescenta.
Quando as alterações causam incômodo estético ou comprometem a respiração, a avaliação de um especialista pode indicar quais caminhos são adequados para cada caso. Em pacientes maduros, procedimentos como a rinoplastia exigem planejamento individualizado, considerando tanto a aparência quanto a função nasal.
“Quando existe indicação, a rinoplastia pode reposicionar estruturas, reforçar a sustentação da ponta nasal e preservar ou melhorar a função respiratória. O mais importante é realizar um planejamento personalizado, respeitando a anatomia e as características de cada paciente, para alcançar um resultado natural e duradouro”, observa.
Nos últimos anos, a avaliação estética do nariz passou a considerar também a relação da região com o restante do rosto. A proposta é buscar equilíbrio entre diferentes estruturas faciais, sem apagar características individuais.
“Hoje não tratamos o nariz de forma isolada. Avaliamos como ele se relaciona com olhos, maçãs do rosto, lábios, queixo e todas as demais estruturas faciais. O objetivo é alcançar um resultado equilibrado, que respeite a identidade do paciente e promova harmonia facial, preservando sempre a função respiratória e as características naturais de cada rosto”, finaliza o médico. As informações são do jornal O Globo.
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