Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 27 de março de 2021
O navio que encalhou no Canal de Suez, impedindo a passagem de outras embarcações, pode ser visto do espaço, conforme mostram novas fotos. Embora reboques e outras embarcações estejam trabalhando para ajudar o barco a se desprender e retomar a navegação, pode levar semanas para que o tráfego seja retomado.
As fotos foram obtidas por satélites Dove, operados pela empresa norte-americana Planet. O navio, de mais de 400 metros, encalhou enquanto atravessava o Canal de Suez no último dia 23.
Tentativa de remover
O chefe da Autoridade do Canal de Suez afirmou no sábado (27) que as tentativas de remover o navio porta-contêineres que está encalhado e bloqueando o canal permitiram que sua popa e leme se movessem, mas ainda não se podia prever quando o barco voltaria a flutuar.
O cargueiro Ever Given, de 400 metros e mais de 200 mil toneladas, ficou encalhado na diagonal na parte sul do canal em meio aos fortes ventos no início da terça-feira (23), afetando a navegação global ao bloquear uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo.
E, com as mudanças aos poucos das rotas para o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, as empresas temem ataques de piratas aos navios de carga, o que pode prejudicar ainda mais o comércio internacional.
Cerca de 15% do tráfego marítimo global passam pelo Canal de Suez e centenas de navios aguardam para atravessar o canal assim que ele for desobstruído.
O presidente da Autoridade, Osama Rabie, afirmou que espera que não seja necessário retirar alguns dos 18.300 contêineres que estão no navio para aliviar o seu peso, mas admitiu que as marés e ventos fortes estavam complicando os esforços para desencalhá-lo.
“A popa do navio começou a se mover em direção a Suez, e isso foi um sinal positivo, mas a maré caiu significativamente e paramos”, disse Rabie a jornalistas em Suez. “Esperamos que a qualquer momento o navio possa deslizar e se mover do local em que está”.
O cargueiro poderia ser retirado da posição no início da próxima semana, afirmou a empresa envolvida na missão para liberar a via estratégica que liga o Mar Vermelho ao Mediterrâneo, onde mais de 300 navios aguardam para fazer a travessia.
“Com os barcos que teremos no local, a terra que já conseguimos dragar e a maré alta, esperamos que seja suficiente para desencalhar o navio no início da próxima semana”, afirmou Peter Berdowski, diretor executivo da Royal Boskalis, a matriz da Smit Salvage, a empresa holandesa contratada para ajudar na operação.
Se isto não for suficiente, será necessário retirar os contêineres para reduzir o peso do cargueiro, advertiu Berdowski, uma solução que levaria muito mais tempo.
Uma grande maré alta esperada “na tarde de domingo” pode “ser de grande ajuda” para as equipes técnicas que estão tentando libertar o navio, disse o especialista em VesselsValue, Plamen Natzkoff, à AFP.
Enquanto isso, com cada vez mais navios podendo ser desviados para a rota contornando o Cabo da Boa Esperança, o temor das empresas é que os ataques de pirataria aumentem. Os piratas há muito perseguem os navios que se deslocam nas águas na região do Chifre da África, e os mares da África Ocidental, rica em petróleo, são agora considerados um dos mais perigosos do mundo para o transporte marítimo.
Momentos antes de encalhar, em meio a fortes ventos e a uma tempestade de areia, o Ever Given aparentemente viajava mais rápido do que o limite de velocidade estabelecido pela Autoridade do Canal de Suez, informou a Bloomberg.
A última velocidade registrada do Ever Given foi de 13,5 nós, detectada 12 minutos antes do encalhe, de acordo com dados da Bloomberg. A velocidade máxima permitida através do canal fica entre 7,6 nós e 8,6 nós.
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