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Brasil O novo estatuto da Caixa Federal poderá retirar o poder de Michel Temer para demitir executivos do banco

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Occhi nega que esteja ocorrendo uma crise na instituição que ele preside. (Foto: Agência Brasil)

Na avaliação do presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, a decisão sobre reconduzir ou não os vice-presidentes do banco afastados pelo presidente Michel Temer nesta semana deverá ser tomada pelo Conselho de Administração da estatal.

A expectativa é de que, já nesta sexta-feira, seja aprovado o novo estatuto do banco, que confere ao colegiado poderes para nomear e exonerar os executivos. Com isso, a atribuição poderá deixar de ser do presidente da República.

Ele refuta a ideia de que esteja ocorrendo uma crise institucional na Caixa. “Há um momento difícil, mas que nós vamos superar. O banco vai continuar trabalhando, os empregados vão continuar tendo uma dedicação total, como tiveram até hoje”, garantiu em entrevista à imprensa.

O afastamento dos vice-presidentes da Caixa, por 15 dias, foi comunicado na terça-feira pela Secretaria de Governo. A decisão havia sido recomendada pelo Ministério Público Federal e pelo Banco Central, devido a suspeitas de irregularidades investigadas pela Polícia Federal na estatal.

Deflagrada em 2016, a Operação Greenfield investiga desvios em fundos de pensão de bancos e de estatais. Por meio dessa investigação, a PF e o MPF descobriram irregularidades no Fundo de Investimentos do FGTS), vinculado à Caixa, e deflagraram uma segunda operação, batizada de Sépsis.

A defesa dos vices vai ser apresentada internamente?

Existem dois encaminhamentos que estão acontecendo. Um é a manifestação do presidente Temer sobre o afastamento. Eu fui informado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de que há uma expectativa de que a aprovação ao novo estatuto da Caixa ocorra nesta sexta-feira.

Neste momento, ao se aprovar o novo estatuto, há uma mudança de competência, que deixa de ser do presidente e passa a ser do presidente do Conselho de Administração do banco [ocupado atualmente pela chefe do Tesouro, Ana Paula Vescovi]. Passa a ser de competência do conselho a nomeação e o afastamento eventual dos vice-presidentes da Caixa.

Algum deles tem condições de voltar?

Isso dependerá muito da capacidade de cada um apresentar suas fundamentações, suas defesas. Acho que são situações bem diferentes entre eles. O Conselho de Administração é que vai avaliar. Eu entendo é que vai caber a cada um deles a capacidade de apresentação de suas fundamentações, porque tudo já está posto. Eventualmente escapou um dado, escapou uma informação.

Não fica parecendo uma afronta ao Banco Central reconduzi-los?

Não é uma afronta. O BC não determinou o afastamento. Ninguém determinou. O Ministério Público, inicialmente, recomendou e agora o Ministério Público alertou o presidente de que ele poderia incorrer em alguma situação. O presidente, com base nisso, ouvindo sua assessoria, ouvindo as pessoas, ouvindo o ministro Meirelles, resolveu adotar essa medida, dando prazo para as pessoas se defenderem.

Temer é um constitucionalista, então ele reconhece o direito de as pessoas apresentarem suas defesas primeiramente. Esse é um direito constitucional que todos nós deveríamos ter.

Algum dos vices pode estar sendo alvo de injustiça?

Conheço todos eles. Uns mais, outros menos. O meu sentimento neste momento não é nem de ter uma injustiça ou não. Meu sentimento hoje é de extrema tristeza. Não é decepção, não é mágoa, por acontecer um fato desses num momento tão importante da empresa. É um momento de um resultado do banco que vai ser o maior da história. É um grande momento de comemoração, de reconhecimento, de agradecimento aos funcionários da Caixa.

Então, você se depara com um momento como esse que é extremamente delicado e que traz a mim, particularmente, uma tristeza tão grande de não poder aproveitar todas essas conquistas. É uma situação difícil, complicada, mas que a Caixa vai superar.

O escritório Pinheiro Neto recomendou que fosse investigada a declaração do delator Lúcio Funaro, de que você teria uma meta de propina no banco… 

A Caixa, a meu pedido, apurou essa denúncia. A Corregedoria foi ao Ministério Público, que não levou em consideração aquela fala, porque não tem embasamento. E quem o Lúcio Funaro disse que falou para ele sobre essa situação [o empresário Silmar Bertin, do Grupo Bertin] declarou por escrito à Caixa que nunca teve essa conversa com ele, nem comigo, e que jamais pediu nada e nem foi pedido nada a ele.

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