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Mundo O novo presidente da Argentina surpreende ex-alunos e aplica prova em universidade de Buenos Aires

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Presidente da Argentina, Alberto Fernández (C), chega para aplicar prova na Universidade de Buenos Aires. (Foto: Reprodução)

O novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, trocou de papéis brevemente nesta sexta-feira (13), voltando ao seu antigo emprego de professor universitário para aplicar as provas finais de seus alunos.

Fernández, que tomou posse na terça-feira, surpreendeu os alunos ao aparecer para supervisionar uma prova de sua turma de Crime e Justiça na Universidade de Buenos Aires, onde foi professor de Direito antes de lançar sua candidatura presidencial neste ano.

Uma segurança reforçada ocupou os corredores da escola depois que Fernández, de 60 anos, chegou de carro do palácio presidencial da Casa Rosada. De terno e gravata, ele se sentou pacientemente diante de sua sala enquanto os alunos faziam a prova de horas de duração. Ao final, eles posaram para uma foto em grupo.

“Ele não é mais candidato a presidente, é o presidente da nação. É histórico. Isso nunca mais vai acontecer comigo nessa vida”, disse a estudante Nadina Tatiana Pasanini.

Pouco conhecido no país sul-americano até o início deste ano, Fernández manteve suas atividades pedagógicas durante a campanha eleitoral, que culminou com seu triunfo sobre o conservador Mauricio Macri, que tentava se reeleger para um segundo mandato.

Em setembro, Fernández viajou a Madri para dar aulas em uma universidade, uma obrigação que disse ter assumido antes de anunciar sua candidatura. Ele continuou aplicando provas até outubro, quando a eleição aconteceu.

Fernández teve muito apoio dos eleitores jovens e procurou sublinhar sua imagem de homem do povo, o que incluiu postagens em redes sociais nas quais apareceu tocando guitarra e indo votar com seu cão.

Emissário ao Brasil

Dois dias depois de assumir o governo, o novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, enviou um emissário de alto nível a Brasília para tentar costurar um encontro com o presidente Jair Bolsonaro e iniciar uma aproximação entre os dois governos.

O futuro embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, manteve uma agenda de encontros em Brasília, com autoridades do governo Bolsonaro.

O principal deles foi com o vice-presidente Hamilton Mourão. O argentino também conversou com o ministro Osmar Terra (Cidadania).

Na reunião com Mourão, Scioli destacou que diferenças ideológicas não podem separar Brasil e Argentina e que os dois países precisam atuar juntos em diversas instâncias internacionais.

Também destacou que qualquer amargura que tenha ficado entre os dois mandatários devido à troca de provocações nos últimos meses será resolvida quando se encontrarem e conversarem olho no olho.

E, numa frase que foi vista como forte gesto de aproximação, o emissário argentino afirmou que o governo Bolsonaro deu passos importantes para superar a crise econômica brasileira.

Segundo auxiliares ouvidos pela Folha, quando Scioli mencionou o desejo de promover uma reunião entre Fernández e Bolsonaro, Mourão disse que talvez haja uma janela de oportunidade em janeiro.

O vice-presidente contou a Scioli que no próximo mês está pré-agendada a participação de Bolsonaro na inauguração das novas instalações da estação Comandante Ferraz, na Antártida, parcialmente destruída por um incêndio em 2012.

Mourão disse que, caso esse roteiro se confirme, o presidente brasileiro terá que decolar de Punta Arenas (Chile) ou de Ushuaia (Argentina). Se a escala for na cidade austral argentina, um encontro poderia ser promovido.

A campanha presidencial argentina e o período de transição de governo foram marcados por trocas de farpas e provocações entre Bolsonaro e Fernández.

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