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Notícias O órgão de saúde britânico emitiu um alerta sobre nova infecção sexual

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Camisinha é sempre a melhor proteção. (Foto: Pixabay)

Ao lado da aids, HPV e sífilis, cresce o perigo de uma DST (doença sexualmente transmissível) não tão conhecida do público: a infecção pela bactéria Mycoplasma genitalium (Mg). O alerta integra as diretrizes de 2018 da BASHH (Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV), e em diferentes estudos nos últimos anos, que reforçam aos especialistas a importância de um tratamento direcionado – o que nem sempre é possível.

Isso porque, quando os sintomas se apresentam (o que na maioria dos casos não acontece), a doença se assemelha a uma infecção por clamídia. Ao usar o mesmo tratamento, porém, os resultados não são eficazes, o que leva ao aumento no risco de uma resistência bacteriana.

Os antibióticos usados no tratamento de outras doenças não funcionam com a M. genitalium porque ela é uma das menores bactérias encontradas no mundo e, portanto, não tem a parede celular – onde os medicamentos atuam.

“A alguns antibióticos ela é muito resistente, outros é parcialmente resistente e há aqueles em que é praticamente resistente. E essa resistência vem crescendo, conforme os pesquisadores têm percebido nos estudos com as cepas do Mycoplasma”, Newton Sergio de Carvalho, médico ginecologista e obstetra do hospital Nossa Senhora das Graças e professor titular de Ginecologia da UFPR (Universidade Federal do Paraná). Esse é o principal alerta.

Atualmente, segundo estudo divulgado pelo periódico científico Journal of Infectious Diseases em 2017, a classe antimicrobiana disponível para ser usada contra o M. genitalium é a dos fluoroquinolonas, como o moxifloxacino – recomendado como primeira linha de tratamento.

Outro motivo para a infecção pelo Mg assustar a população é que a bactéria nem sempre é lembrada pelos especialistas na hora de um exame ginecológico – e o teste biológico molecular disponível para o diagnóstico também é esquecido.

“É quase impossível diagnosticar o Mycoplasma genitalium antes de ele trazer algum problema. Porque ele não dá sintomas, assim como a clamídia, e quando você pensa na hipótese do Mycoplasma, as trompas já estão inflamadas ou há caso de infertilidade, ou uma uretrite, a infecção na uretra”, explica Carvalho.

Como se prevenir?

Assim como com as demais DSTs, a principal forma de prevenção contra o Mycoplasma genitalium é através do uso de proteção durante as relações sexuais, como os preservativos ou camisinhas. Essa variedade da doença é conhecida dos especialistas desde a década de 1980 e a estimativa é que um a cada 100 adultos tenham tido contato com a bactéria, e entre 1% a 2% da população em geral tem a infecção.

Dos sintomas mais comuns, quando se manifestam, estão sensação de ardência e queimação quando urinar, além de secreção pelo pênis, entre os homens; entre as mulheres, dor durante o ato sexual, bem como sangramento depois das relações, e escapes de sangue entre os períodos menstruais. Mulheres também apresentam secreções e podem sentir dor na região pélvica, logo abaixo do umbigo.

Quando não tratada, a infecção leva a infecções do colo cervical nas mulheres (cervicites), gerando complicações como a doença inflamatória pélvica, conhecida por DIP, e até mesmo infertilidade. Nos homens, são comuns infecções na uretra, as uretrites.

“A relação sexual desprotegida tem a possibilidade de a pessoa adquirir inúmeros agentes infecciosos e, embora alguns sejam conhecidos, muitos outros não são, mas podem trazer grandes problemas, como o Mycoplasma. É cada vez mais importante que as relações sexuais sejam adequadas, com menos parceiros e com preservativos”, ressalta o médico ginecologista.

Gonorreia incurável

Recentemente, outra DST tem causado medo entre especialistas e população, e por um motivo muito semelhante, a resistência bacteriana. A gonorreia tem se tornado cada vez mais difícil de ser tratada pela crescente resistência a diferentes tipos de antibióticos – muito decorrente do uso errado pela população.

Ao fazer uso de um antibiótico sem completar o tratamento – que, em geral, exige o consumo completo da cartela da medicação -, a bactéria acaba por se adaptar e fortalecer diante do medicamento, ao invés de ser aniquilada por ele. No caso da gonorreia, em alguns casos ela já foi considerada incurável pelos especialistas.

A estimativa da Organização Mundial da Saúde é que cerca de 78 milhões de pessoas são contaminadas a cada ano. No Brasil, o Ministério da Saúde calcula 500 mil infectados todos os anos, mas não haveria registro da gonorreia superresistente por aqui.

 

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