Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 29 de março de 2018
O papa Francisco disse que “o inferno não existe” segundo uma entrevista publicada nesta quinta-feira (29) pelo jornal italiano “La Repubblica”. O Vaticano desmente a afirmação. “O inferno não existe, o desaparecimento das almas dos pecadores existe”, teria dito o pontífice a Eugenio Scalfari, de 93 anos, fundador e ex-editor-chefe do jornal romano. O artigo só pode ser lido na internet por assinantes, mas foi repercutido pelo jornal inglês “The Times”.
Em nota, o Vaticano afirma que Francisco recebeu o jornalista em um “encontro privado por ocasião da Páscoa”, mas que a audiência não se tratava de uma entrevista. Diz também que as falas do papa são uma “reconstrução” do repórter. “Nenhuma aspa do artigo mencionado deve ser considerada, portanto, como uma transcrição fiel das palavras do Santo Padre”, diz o comunicado.
Scalfari, que se declara ateu, já teve outros encontros com o papa Francisco. Em setembro de 2013, o próprio pontífice escreveu uma carta ao jornal, respondendo a um artigo de Scalfari, na qual fala sobre a relação da igreja com os “não crentes”.
“Deus perdoa quem segue a própria consciência”, disse o papa na época, sobre os ateus.
Leia a nota completa do Vaticano:
“O Santo Padre Francisco recebeu recentemente o fundador do jornal ‘La Repubblica’ em uma reunião privada por ocasião da Páscoa, sem lhe dar nenhuma entrevista. O que é relatado pelo autor no artigo de hoje é o resultado de sua reconstrução, em que as palavras textuais pronunciadas pelo Papa não são citadas. Nenhuma aspa do artigo mencionado deve ser considerada, portanto, como uma transcrição fiel das palavras do Santo Padre.”
Os 5 primeiros anos do legado de Francisco
Logo após o “habemus papam”, naquela noite de 13 de março de 2013 em Roma, o sorridente cardeal Jorge Bergoglio apresentou-se para uma Praça São Pedro lotada. Havia se tornado, então, papa Francisco, o 266º sumo pontífice da Igreja Católica. “Parece que meus colegas foram buscar um papa no fim do mundo”, disse ele, em referência à sua Argentina natal.
Bom humor à parte, Bergoglio assumia uma Igreja em crise – em meio a diversos escândalos de pedofilia do clero, com divisões internas e perdendo fiéis e popularidade em todos os cantos do mundo – e após uma histórica renúncia, já que Bento 16 foi o primeiro pontífice a abdicar do trono de Pedro em quase 600 anos.
Sua eleição, por si só, foi repleta de ineditismos. Pela primeira vez, a Igreja Católica tem um líder latinoamericano. Pela primeira vez, um jesuíta. E, pela primeira vez, alguém adotava o nome Francisco – sugestão dada a Bergoglio pelo seu colega brasileiro, o cardeal emérito de São Paulo d. Claudio Hummes, que pediu a ele que não se esquecesse dos pobres.
Passados cinco anos, as crises da Igreja permanecem prementes, com um papado ainda exercido sob a sombra das acusações de abusos sexuais contra sacerdotes. Isso, junto com a resistência a mudanças e lutas de poder entre bispos, padres e cardeais, torna Francisco um alvo frequente de hostilidades dentro e fora da Igreja.
Mas defensores argumentam que o papa imprimiu à conservadora instituição uma personalidade mais carismática, além de se envolver em questões mundiais urgentes: publicou uma encíclica em defesa da ecologia, fala com frequência em defesa dos refugiados da crise imigratória e intermediou a histórica retomada da diplomacia entre os Estados Unidos e Cuba.
“Francisco trouxe para a Igreja uma visão revigorante, interessante e atraente. Enquanto outros papas se concentraram na aplicação de regras ou normas doutrinárias, ele tenta atrair as pessoas para a mensagem primordial: uma Igreja que espalha a boa-nova de Jesus por meio do encontro, do diálogo e do testemunho”, analisa o vaticanista Joshua J. McElwee, autor de livros sobre o atual papa. “Muitos católicos têm achado essa visão convidativa.”
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