Quarta-feira, 10 de junho de 2026
Por Vera Armando | 10 de junho de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
A condenação do ex-vereador do Rio de Janeiro, Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, a mais de 43 anos de prisão pela morte brutal de Henry Borel em 2021, representa uma resposta necessária da Justiça diante de um dos crimes mais chocantes da história recente do país. Mas, para muitos brasileiros, a sensação de justiça continua incompleta diante do perdão judicial concedido à mãe da criança, Monique Medeiros.
Henry tinha apenas quatro anos. Era uma criança indefesa, totalmente dependente dos adultos para viver, crescer e estar segura. Por isso, o perdão judicial desperta tanta perplexidade e indignação.
A maternidade não é apenas um vínculo biológico. Ela carrega uma responsabilidade moral, humana e intransferível. A primeira missão de uma mãe é proteger seu filho, perceber quando algo está errado, identificar sinais de sofrimento e agir diante do perigo.
E Henry demonstrava sinais.
As investigações revelaram agressões, marcas e episódios de violência que não surgiram da noite para o dia. O sofrimento daquela criança não aconteceu em silêncio absoluto. Havia indícios. Havia alertas. Havia sinais que hoje são conhecidos por todo o país.
Por isso, a revolta não é apenas jurídica. É moral.
A pergunta que permanece ecoando na consciência coletiva dos brasileiros é simples: quem deveria proteger Henry se não a própria mãe?
Crianças pequenas não têm condições de se defender sozinhas. Dependem integralmente dos adultos responsáveis por sua segurança. Quando essa proteção falha, as consequências podem ser irreversíveis.
Henry não teve a oportunidade de crescer, realizar sonhos ou viver a infância que merecia. Sua vida foi interrompida de forma cruel.
Por isso, embora a condenação do agressor represente um avanço, o perdão concedido à mãe deixa uma ferida aberta na percepção de justiça de grande parte da sociedade.
O caso Henry Borel não fala apenas sobre violência. Fala sobre responsabilidade. Fala sobre omissão. Fala sobre o dever absoluto de proteger aqueles que não podem se proteger sozinhos.
Que essa tragédia sirva de alerta para todo o Brasil. Quando uma criança dá sinais de sofrimento, alguém precisa enxergar. Quando uma criança está em perigo, alguém precisa agir.
Henry não precisava de heróis. Precisava apenas que os adultos responsáveis por sua proteção cumprissem seu dever.
E é justamente por isso que o perdão judicial concedido à sua mãe provoca indignação e deixa uma pergunta sem resposta para milhões de brasileiros: quem protege uma criança quando aqueles que deveriam protegê-la falham?

* Vera Armando – jornalista e vereadora de Porto Alegre (@veraarmando.rs)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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