Domingo, 31 de Maio de 2020

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Colunistas O poder dos idiotas e sua genealogia

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Em tempos em que os idiotas perderam sua timidez, aproveito para apresentar uma genealogia dessa espécie que se multiplica dia a dia. O que os filósofos diriam dos idiotas? Acompanhem esse pequeno exercício de sarcasmo:

Parmênides: tudo permanece (inclusive os idiotas).

Platão: os idiotas fazem parte do mundo sensível. Jamais alcançarão o suprassensível. Por isso, para eles, as sombras são a realidade. Não sairão jamais da caverna.

Górgias de Leôncio, o sofista mais famoso: um idiota é incognoscível e, se for cognoscível, é impossível contar para o vizinho.

Guilherme de Ockham: não há idiotas universais; apenas idiotas singulares;

Maquiavel: atrás de um idiota sempre surge outro. Não deixe nenhum perto de você.

Heidegger: faz parte do modo próprio de ser no mundo o idiota ser assim; há uma pré-compreensão que funciona como um “adiantamento de sentido”: o sentido de quem é idiota sempre chega antes.

Descartes: idiotas não possuem cogito, por isso, não existem.

Kant: não existe um idiota em si.

Hegel: Deutschland ist kein Staat mehr (a Alemanha não é mais um Estado, disse Hegel [de verdade] apavorado com o número de idiotas na Alemanha).

Wittgenstein (do Tractatus): se os limites da linguagem são os limites do mundo, idiotas possuem apenas um “mundinho”.

Marx: idiotas são o lúmpen; não falo deles; com eles não há revolução.

Gadamer: sempre sobra algo no ato de interpretar, mas o idiota deixa passar tudo.

Dworkin: a raposa sabe muitas coisas, o ouriço sabe uma grande coisa, mas o idiota não sabe nenhuma coisa.
E há uma frase famosa atribuída a Martin Luther King: não me preocupa o barulho feito pelos idiotas; o que me inquieta é o silêncio dos não-idiotas (dos anti-idiotas).

Em tempo

Antes que me “acusem” (e néscios, quer dizer, os idiotas, adoram fazer isso) de “instrumentalizar a filosofia”, ressalto que vários destes filósofos realmente discutiram sobre (e com) os idiotas (na verdade, chamavam de néscios, o que dá no mesmo) nos seus escritos. O filósofo que dá origem ao pensamento ocidental, Heráclito, em diversas histórias a seu respeito, desprezava-os.

Platão, por exemplo, ao elaborar o mito da caverna, tinha os idiotas atravessados na garganta, face a morte do seu mestre.

Kierkegaard é outro que passou anos escrevendo sobre os néscios, o público-alvo do Cristianismo, do modo como ele se apresentava na Dinamarca em sua época.

Friedrich Nietzsche dedica seu Assim Falava Zaratustra aos néscios, os burros de carga alienados pelos valores da sociedade do fim do século XIX e presos no eterno retorno.

Heidegger falou muito do “das Man”. A alienação do “a gente pensa que…”.

Contemporaneamente, os idiotas se mudaram para as redes sociais. E ali construíram verdadeiras células terroristas de ignorância artificial. E então começou a revolução dos youtubers e quejandos. E esse “quejandos” vai longe!
Por último: idiotas e néscios são usados, aqui, como categoria operacional.

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