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Saúde O Prazer que traz benefícios e excessos

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Evidências científicas indicam que a prática é uma das formas mais seguras de explorar a sexualidade. (Foto: Reprodução)

Um estudo conduzido por pesquisadores da University College London e publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B sugere que a masturbação pode contribuir para a saúde genital masculina. A equipe analisou registros históricos e comportamentais de primatas, reunindo centenas de publicações científicas, questionários e observações feitas por primatologistas e tratadores de zoológicos.

Os cientistas encontraram “fortes evidências de coevolução entre a masturbação e a presença de patógenos em machos”. A hipótese levantada pelos pesquisadores é que a ejaculação ajudaria a eliminar microrganismos potencialmente nocivos do trato genital, funcionando como uma espécie de mecanismo natural de limpeza.

Outra teoria apontada pelo estudo é a de que a prática ajudaria a eliminar espermatozoides envelhecidos, favorecendo a renovação do sêmen e aumentando as chances de fecundação.

Além disso, evidências científicas indicam que a masturbação é uma das formas mais seguras de explorar a sexualidade. O sexólogo clínico Laurent Marchal Bertrand, psicólogo formado pela Universidade Católica de Leuven e professor em diversas universidades colombianas, afirma que ela permite reconhecer o próprio corpo, descobrir as próprias zonas erógenas e compreender as próprias preferências.

Os estudos mostram benefícios associados, como a redução do estresse, melhora da qualidade do sono, da autoestima sexual e até na prevenção de certas disfunções.

Nos homens, alguns estudos sugerem que a masturbação pode ajudar a reduzir o risco de disfunção erétil na idade adulta. Enquanto nas mulheres, pode promover a lubrificação e a resposta erótica — muito útil após a menopausa.

Frequência

Segundo Bertrand, a masturbação só se torna um problema quando passa a interferir nos relacionamentos, no trabalho ou na vida social.

Idade, gênero e circunstâncias pessoais influenciam a regularidade da masturbação. Estudos internacionais mostram que adolescentes e jovens adultos tendem a praticá-la com mais frequência, enquanto adultos mais velhos tendem a manter o hábito com menor intensidade.

As diferenças entre homens e mulheres também são claras. Um estudo de 2022 na Noruega descobriu que a maioria dos homens praticava o ato sexual de duas a três vezes por semana, enquanto a maioria das mulheres praticava de duas a três vezes por mês.

Ter ou não um parceiro também marca um contraste: em alguns casos, a masturbação complementa uma vida sexual compartilhada; em outros, serve como uma forma de compensar a solteirice.

Somam-se a esses fatores o estado de saúde, o nível de estresse e o bem-estar emocional. Quando o corpo é submetido a estresse físico ou mental, o desejo pode aumentar ou diminuir, alterando a frequência sem necessariamente indicar um problema.

Compulsividade

Segundo o sexólogo e biomédico Vitor Mello, a compulsão se caracteriza pela perda de controle e pelas consequências negativas. Ela pode estar relacionada a fatores emocionais, psicológicos ou contextuais. Ansiedade, depressão, estresse crônico, histórico de traumas, solidão e uso excessivo de pornografia são algumas das causas mais comuns.

“Nesses casos, a masturbação funciona como um escape para lidar com emoções difíceis. Entretanto, quando se torna a principal fonte de prazer e alívio, pode piorar a autoestima e aumentar o isolamento social”, alerta Mello.

Entre os principais sinais estão:

• Reduzir ou abandonar atividades importantes para se masturbar.
• Necessidade crescente de aumentar frequência ou intensidade para obter o mesmo nível de prazer.
• Dificuldade para controlar o impulso, mesmo em situações públicas ou inadequadas.
• Sentimentos de culpa, ansiedade ou tristeza após o ato.
• Preferir a masturbação em vez de relações sexuais com parceiros.
• Causas associadas

Equilíbrio

Embora o ato em si não cause danos físicos diretos na maioria das situações, o excesso pode provocar fadiga, irritações na pele, diminuição da sensibilidade e, em casos extremos, disfunções sexuais, como dificuldade para manter a ereção ou alcançar o orgasmo durante relações sexuais. Além disso, a dependência do estímulo individual pode afetar a intimidade e o desejo no relacionamento.

“O equilíbrio é fundamental. A masturbação pode favorecer o autoconhecimento e o controle da ansiedade, mas o excesso geralmente indica questões emocionais ou comportamentais subjacentes, como estresse, solidão ou compulsão sexual. Sem controle, esse hábito pode contribuir para disfunções eréteis, pois corpo e mente passam a responder melhor ao estímulo individual do que ao contato com o parceiro”, destaca o especialista. (Com informações do Extra)

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