Terça-feira, 11 de Agosto de 2020

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Brasil O presidenciável Ciro Gomes defendeu a Operação Lava-Jato, mas criticou “abusos”

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Candidato do PDT afirma apoiar a operação, mas diz que Ministério Público e Judiciário estão ‘fazendo política’. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Embora tenha dito que apoia a Operação Lava-Jato, o candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, criticou, durante entrevista ao Jornal Nacional, o que considera ‘abusos’ do Judiciário e do Ministério Público Federal. Ex-ministro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidenciável disse ainda que, para ele, o petista não é “satanás”, nem “um deus”.

“Apoio a Lava-Jato porque ela é uma virada de página na crônica de impunidade que sempre marcou a corrupção dos grandes no Brasil. Porém, a Lava-Jato só prestará bom serviço se for vista pela maioria ou pelo conjunto da sociedade como uma coisa equilibrada. Do lado do PSDB não tem nenhum na cadeia”, afirmou Ciro, que foi o primeiro candidato a presidente a ser entrevistado pelo Jornal Nacional.

Ele afirmou ainda que o Ministério Público muitas vezes extrapola suas funções, “destrói reputações”, e que o Judiciário estaria aproveitando a “desmoralização” dos poderes Executivo e Legislativo para fazer política.

Questionado sobre a mudança de tom em relação ao PT e a Lula, de quem era aliado e passou a ser crítico, Ciro disse que, na sua opinião, Lula foi um bom presidente:

“Para mim o Lula não é um satanás, como certos setores da imprensa e da opinião pública brasileira pensam. E também não é um deus, um anjo, como certos setores metidos a religiosos do PT pensam. (…) O Lula foi um bom presidente para o Brasil e o povo brasileiro sabe disso. Há cinco, seis, sete anos, o Brasil estava com um poder de compra maior, com uma taxa de desemprego muito menor. Da Dilma (Rousseff) para cá tudo isso foi perdido, mas isso não quer dizer que a gente deva rasgar a história e nem comemorar o fato de ter o maior líder popular do País preso.”

Questionado sobre o presidente de seu partido, Carlos Lupi, Ciro declarou que tem confiança “cega” nele, e cometeu um erro ao insistir na afirmação de que Lupi não é réu. Ao contrário do que disse Ciro, o presidente do PDT é réu em uma ação por improbidade administrativa na Justiça Federal do Distrito Federal.

A acusação é que Lupi, quando era ministro do Trabalho, em 2009, recebeu vantagem indevida ao aceitar viajar em um avião fretado por terceiros por sete cidades do Maranhão, em agenda de governo.

“O Carlos Lupi tem minha confiança cega”, disse.

Cobrado sobre a explosão de violência no Ceará, Estado governado por seu grupo político, Ciro fez uma crítica indireta a seu adversário do PSDB, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin. Ele atribuiu a disparada da violência no seu Estado à chegada de facções criminosas que expandiram suas atuações desde São Paulo e Rio de Janeiro. Sem apresentar provas da acusação, ele disse que as facções estiveram “em acordo com as autoridades de São Paulo e do Rio de Janeiro”.

SPC

O candidato do PDT afirmou que, se for eleito, vai liberar metade do efetivo da Polícia Federal que atualmente está em atividades burocráticas para combater o narcotráfico e as facções criminosas. Nesse momento, questionado sobre as frequentes promessas de políticos que não são postas em prática, ele procurou mostrar bom humor:

“É que nunca fui presidente, você vai ver comigo.”

Ciro se esforçou para controlar o temperamento explosivo, procurou sorrir durante os 25 minutos da entrevista, mas, algumas vezes, adotou um tom mais imperativo ao ser interrompido pelos entrevistadores.

“Se você deixar eu falar eu proponho”, disse ele, algumas vezes.

Ele aproveitou para defender uma de suas bandeiras, a promessa de retirar 63 milhões de endividados do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). Ciro afirmou que há ceticismo em relação a essa proposta porque ela atenderia os mais pobres:

“O Brasil dispensa R$ 390 bilhões no Refis para o refinanciamento de dívida dos mais ricos. Quando se fala em fazer para os pobres, meus adversários ficam pirados.”

Durante a entrevista, o candidato do PDT comparou a composição de sua chapa, que tem a senadora Kátia Abreu (PDT-TO), uma liderança ruralista, como vice, à aliança de Lula com o empresário José Alencar, na eleição de 2002, que teve o objetivo de conquistar o eleitorado de centro. Apesar de ter sido filiada ao antigo PFL, atual DEM, Kátia Abreu se tornou uma das principais aliadas da presidente Dilma, de quem foi ministra da Agricultura.

 

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