Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 18 de maio de 2018
O presidenciável Ciro Gomes (PDT) prevê que dos atuais 23 pré-candidatos à Presidência do Brasil, somente 15 chegarão na reta final do primeiro turno, em outubro. “Acho que assim como Joaquim Barbosa, outros pré-candidatos sairão. Não haverá vinte e três nomes, como hoje se menciona, mas ainda assim haverá muitos candidatos. No mínimo uns quinze”, disse nesta sexta-feira (18), em entrevista coletiva no 60º Congresso Nacional de Hotéis, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, preferindo não nominar quem sairá da corrida presidencial.
Sobre as alianças, Ciro disse que falará “só na hora própria. Lá para junho, julho”. No momento, ele trabalha uma aliança de centro-esquerda e cogita dois nomes para ocupar o posto de vice: os empresários Josué Gomes Alencar (PR) e Benjamin Steinbruch (PP). “Isso vai acontecer a partir de junho, quando começamos a preparar as convenções de julho e agosto”, destacou.
Ciro Gomes não vê possibilidade de ter o apoio do PT, nem do MDB e tampouco do DEM, pois acredita que esses partidos terão seus próprios candidatos. O presidenciável tem conversando através do presidente do PDT, Carlos Lupi, com setores do PCdoB, PSOL e do PT, mas não aposta em apoio dos três partidos no primeiro turno.
“Tenho uma afinidade absoluta com a Manuela d’Ávila, por exemplo. Eu aprendo muito com ela, é uma figura de grande valor e tenho sim uma aliança programática com ela. Mas o que importa agora é eleger a ideia que possa interromper essa tragédia que os golpistas estão querendo legitimar pelo voto”, disse.
Previdência
Ciro Gomes estuda propor uma reforma da Previdência que divida o sistema em três faixas de beneficiários, que vão desde um benefício social com renda mínima até um sistema de capitalização, de acordo com a renda do trabalhador. A proposta foi revelada na última terça-feira (15), pelo economista Nelson Marconi, professor da Fundação Getúlio Vargas, que coordena a formulação do plano de governo de Ciro.
“A reforma da Previdência é fundamental, junto com a reforma tributária”, disse o economista, em debate na Casa do Saber, em São Paulo. “É preciso rever a forma de financiamento da Previdência, o que é fundamental para as despesas com juros caírem.”
As três faixas seriam determinadas pelo nível de renda dos trabalhadores durante o tempo de contribuição. Os limites renda de cada faixa, no entanto, ainda não foram definidos no programa, destacou Marconi.
Na primeira faixa, brasileiros de baixa renda receberiam uma renda mínima após os 65 anos de idade através de um benefício social do governo. “O Tesouro vai criar um programa de renda mínima, e isso não tem impacto grande porque boa parte da população já recebe [algum benefício]”, disse Marconi. Ele citou o valor de dois salários mínimos como exemplo de limite de renda para que trabalhadores se enquadrem no benefício.
Para quem ganha acima de dois salários mínimos até uma faixa de renda ainda não estipulada, o sistema seria o de contribuição, parecido com o atual.
“Mantém o regime de contribuição, diminuindo o impacto para as empresas, que teriam um encargo menor, e faz um cálculo com o tempo que ele contribuiu”, afirmou o economista. Nesse caso, uma idade mínima seria estipulada.
Uma terceira faixa salarial, na proposta de Ciro, levaria o trabalhador a contribuir para um sistema de capitalização da Previdência. “As ideias ainda não estão absolutamente fechadas, não dá para fazer capitalização para todo mundo”, explicou Marconi.
Banco Central
O economista de Ciro defendeu ainda um duplo mandato para o BC (Banco Central), que compreenderia meta de inflação e de crescimento visando o emprego. “Quando tem mandato único [como é hoje], o Banco Central está olhando para os preços e não tem como objetivo um certo nível de emprego ou não, em termos gerais”, explicou.
Marconi disse que não é necessário dar mais autonomia para a autoridade monetária, como evitar que presidentes do Banco Central sejam demitidos pelo presidente da República. Ele justificou que, com a configuração atual, o BC já tem a autonomia necessária para conduzir seus trabalhos.
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