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Brasil O presidente da Petrobras que se demitiu do cargo tomou essa decisão por achar que estava atrapalhando o governo

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Executivo permaneceu durante exatamente dois anos no comando da estatal. (Foto: Reprodução)

Quem convive com o engenheiro e agora ex-presidente da Petrobrás Pedro Parente tem mencionado uma de suas habituais frases para explicar o pedido de demissão que ele apresentou ao governo federal, em caráter irrevogável, na manhã de sexta-feira: “É melhor queimar o fusível do que o motor”. Nesse caso, Parente é o “fusível” e o presidente Michel Temer o “motor”.

Com um índice de popularidade baixíssimo nas pesquisas de opinião e um apoio que se esvazia no Congresso Nacional em ano de eleições, o emedebista precisa dar respostas à população que cobra medidas como a redução do preço da gasolina.

Ciente desse contexto político e econômico, o então presidente da estatal avaliou que estava mais atrapalhando do que resolvendo, após exatos dois anos na função.

“Parente não deu chance para que Temer pedisse a sua permanência no cargo”, ressalta um interlocutor do Palácio do Planalto. “E, como Parente tirou do paletó uma cartinha de demissão, não caberia ao presidente da República fazer qualquer apelo apelo em contrário, concluem fontes ligadas ao processo.

“Ele estava gélido, nervoso e, de acordo com fontes próximas, assustado, mas não era pra ser assim”, diz um auxiliar próximo do emedebista. A atitude recebeu críticas de quem acha que ele deveria ter negociado melhor a sua saída. “Parente pensou nele, só nele. O governo e o País que se danem.”

Tranquilidade

Apesar disso, Michel Temer não teria se abalado com a saída de Parente, nomeado para o cargo no dia 1º de junho, quando o atual governo assumiu em lugar da gestão da então presidenta Dilma Rousseff pelo processo de impeachment.

“Depois de enfrentar cerca de 2 milhões de caminhoneiros por diversos dias, na base do diálogo, Temer não iria se desequilibrar com a demissão de um executivo, por piores que fossem os riscos dessa dança das cadeiras na estatal”, garante um aliado do presidente da República.

Sem opção

Interlocutores de Pedro Parente dizem que ele “pediu o boné” para preservar a Petrobrás. Ele não escondia a sua discordância, por exemplo, com as medidas que o governo adotou para responder às queixas pelos reajustes constantes também da gasolina.

Quando Aldemir Bendine assumiu a Petrobrás, em fevereiro de 2015 (primeiro ano do segundo mandato de Dilma), as ações da empresa despencaram na bolsa de valores. Elas voltaram a subir, porém, após o anúncio de que Ivan Monteiro seria o diretor financeiro da estatal.

Efeito semelhante ocorreu na sexta-feira, em meio à repercussão da notícia de que Monteiro assumiria a presidência da petroleira após o pedido de demissão de Parente. Ao final da sessão do dia, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em alta de 0,63%.

Questionamentos

Pedro Parente foi ministro-chefe da Casa Civil entre 1999 e 2002 (durante a gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso) e liderou o grupo que enfrentou, na época, a crise do apagão elétrico.

Antes da greve, Michel Temer já vinha discutindo com ele a flexibilização da política da Petrobras diante da alta elevada dos preços finais dos combustíveis. Mas o executivo se recusava a dar uma “folga”, gerando questionamentos e críticas.

Essa tensão atingiu o ápice no final da quarta-feira: para aplacar a greve dos caminhoneiros, o governo propôs inicialmente zerar a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) – R$ 0,05 por litro do diesel. Os recursos sairiam do projeto da reoneração da folha, que tramitava no Congresso Nacional.

O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) expôs publicamente a situação: “Essa política de preços deu à Petrobras a condição atual. Chegou o momento em que o presidente Temer resolveu fazer com que reanalisássemos o questão”.

A Petrobras respondeu com um desconto de 10% no diesel nas refinarias durante 15 dias. Parente frisou, então, que esse era “um sinal da boa vontade da empresa” para que o governo tivesse tempo para negociar com os grevistas. Com isso, passou a ideia de que se tratava de uma decisão da companhia, sem comprometer a política de preços.

No dia seguinte, ele reforçou sua posição para Temer: caso houvesse alteração na política de reajuste (sem que a estatal fosse compensada por isso), ele entregaria o cargo. Em seguida, o ministro Moreira Franco (Minas e Energia) anunciou que o governo estuda a criação de um “colchão” permanente para subsidiar a Petrobras, que passará a fazer repasses mensais de preço de combustíveis.

Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, apressou-se em informar que não há recursos para um plano desse tipo e que para subsidiar a gasolina e o gás de cozinha será preciso aumentar impostos. Isso arranhou ainda mais a desgastada imagem de Parente no Congresso.

 

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