Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de maio de 2018
O presidente Nicolás Maduro fez pouco caso das críticas internacionais às eleições na Venezuela, marcadas para o dia 20, nas quais ele disputará a reeleição, e ofereceu um prêmio a quem votar com um cartão emitido pelo governo.
A oposição venezuelana está boicotando a eleição, alegando que ela estaria sendo manipulada em favor do atual presidente socialista, de 55 anos. Os EUA, a União Europeia e diversos vizinhos latino-americanos também censuraram o pleito, acusando-o de injusto. “Portanto, eles não vão reconhecer Maduro no mundo inteiro. O que me importa?”, disse Maduro em um comício eleitoral em La Guaira, no litoral na periferia de Caracas, na noite de quarta-feira (2). “O que me importa o que a Europa e Washington dizem?”.
Maduro, que está moldando sua campanha eleitoral como uma batalha contra potências imperialistas empenhadas em se apoderar da riqueza da Venezuela representada pelo petróleo, tem apenas um rival importante: Henri Falcón, de 56 anos, um ex-governador de Estado. Falcón rompeu com o boicote movido pela coalizão de oposição à eleição, na convicção de que será beneficiado pela revolta diante da crise econômica.
A Venezuela passa por seu quinto ano de uma profunda recessão, a inflação no país é a mais alta do mundo, sua produção de petróleo é a mais baixa dos últimos 30 anos, a escassez de alimentos e medicamentos é generalizada e milhões de pessoas estão deixando de fazer algumas das refeições diárias.
Algumas pesquisas de intenção de voto colocam Falcón à frente de Maduro – que venceu por pequena margem as eleições de 2013, para substituir Hugo Chávez. Mas a campanha de abstenção da oposição, a presença de pessoas leais a Maduro em cargos-chave, inclusive no conselho eleitoral, e o poder de atrair votos por meio dos programas estatais de bem-estar social, como os de habitação e de doação de alimentos, fazem uma vitória de Falcón parecer difícil.
Em seu discurso, Maduro disse aos apoiadores que todos os que votarem exibindo o “Cartão da Pátria” emitido pelo governo, necessário para ter acesso a determinados programas de bem-estar social, provavelmente vão receber “um prêmio bastante bom”.
Maduro não entrou em detalhes, mas os críticos dizem que a oferta, e o dinheiro e outros benefícios dados por meio do cartão, se assemelha a suborno eleitoral. O voto na Venezuela é secreto, mas servidores públicos dizem estar sendo constantemente pressionados a apoiar o governo.
Falcón, um ex-soldado, tem sido em grande medida rechaçado pelos dirigentes de oposição mais conhecidos da Venezuela, mas conquistou nesta semana o apoio de pelo menos um líder de grande visibilidade, Enrique Márquez, vice-presidente do Partido Um Novo Tempo. Ele também vem cortejando Henrique Capriles, duas vezes candidato a presidente, para integrar sua campanha, mas sem sucesso até agora. Capriles e outro dirigente oposicionista muito popular, Leopoldo López, estão ambos proibidos de disputar a eleição.
Maduro diz que o sistema eleitoral venezuelano é o de maior lisura do mundo, mas até a operadora oficial da plataforma eleitoral, a britânica Smartmatic, denunciou fraude na eleição de agosto passado. Pouco se sabe sobre a empresa argentina que a substituiu para a eleição deste mês.
Se Maduro efetivamente conquistar a reeleição, as atenções imediatamente se voltarão para a possibilidade de ele aproveitar ou não o momento político para aprofundar o expurgo interno de rivais, e de os EUA levarem a cabo ou não a ameaça de impor sanções ao petróleo venezuelano.
O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, já impôs algumas sanções financeiras e individuais ao governo de Maduro, acusando altas autoridades venezuelanas de abuso dos direitos humanos e de corrupção
Ativistas de oposição pró-boicote têm intensificado sua campanha nos últimos dias com manifestações pelo país. Os números, no entanto, foram fracos, bem distantes das grandes manifestações contra Maduro de 2017.
A coalizão opositora União Democrática diz que quem participar da eleição de 20 de maio estará simplesmente ajudando Maduro a legitimar seu processo farsesco. “Pedimos a todos os cidadãos… para não participarem dessa eleição fraudulenta e para deixar as ruas vazias para expressar nosso repúdio ao regime”, disse em nota.
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