Sábado, 15 de Maio de 2021

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Brasil O primeiro lote da vacina da Pfizer poderá ser distribuído apenas para capitais e grandes centros urbanos

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A vacina da Pfizer demanda uma temperatura de -60°C para ser transportada em segurança. (Foto: Reprodução)

Previsto para chegar ao Brasil na semana que vem, o primeiro lote da vacina da Pfizer contra a covid-19, com um milhão de doses, poderá ser distribuído somente para capitais e outros centros urbanos de grande porte. A ideia é debatida internamente no Ministério da Saúde e também tem o apoio de secretários estaduais e municipais da área.

A pasta e os gestores entendem que, ao menos para essas primeiras doses, seria melhor adotar novas regras de distribuição, que considerassem a estrutura disponível em cada local. Isso porque a vacina da Pfizer demanda uma temperatura de -60°C para ser transportada em segurança.

Nem todas as capitais devem receber. O Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) está consultando os gestores locais para saber quais cidades poderão armazenar corretamente a vacina da Pfizer.

“Somente as que têm condições e logística para esta vacina (devem receber doses do primeiro lote)”, diz Mauro Junqueira, secretário-executivo do Conasems.

Ele afirma que as consultas estão sendo feitas para levar uma proposta fechada ao Ministério da Saúde nesta terça-feira (20).

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que reúne os gestores estaduais, também concordam que se crie regras diferenciadas para o primeiro lote da vacina da Pfizer, tendo em vista as condições difíceis de armazenamento do imunizante.

“A vacina deve ir para onde houver mais facilidade de logística nesse momento”, destaca Jurandi Frutuoso, representante do Conass.

Duas fontes do Ministério da Saúde relataram, sem se identificarem, que a ideia é de fato contemplar as capitais e grandes centros urbanos que tenham a estrutura para receber os imunizantes. As novas regras, porém, ainda serão pactuadas com as entidades que representam os gestores locais de Saúde.

A regra geral do Programa Nacional de Imunização (PNI) tem sido a distribuição igualitária para Estados, que repassam aos seus municípios. Até então, somente as vacinas da AstraZeneca/Fiocruz e do Sinovac/Instituto Butantan estão sendo usadas no País.

O governo federal anunciou na semana passada que a Pfizer iria antecipar a remessa de doses ao Brasil. A previsão é que 1 milhão chegue ainda em abril. Depois há entregas previstas para maio e junho, totalizando 15,5 milhões.

“Uma boa notícia é justamente a antecipação de doses da vacina Pfizer, fruto de uma ação direta do presidente da República Jair Bolsonaro com o executivo principal da Pfizer, que resulta em 15,5 milhões de doses da Pfizer já no mês de abril, maio e junho”, anunciou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em pronunciamento no Palácio do Planalto, na semana passada.

Negociações frustradas, desde o ano passado, com a Pfizer são apontadas como motivo de atraso na obtenção de doses por parte do Brasil. O governo ignorou ofertas da farmacêutica alegando cláusulas draconianas, como a que isenta a fabricante de efeitos adversos do produto.

O presidente Jair Bolsonaro e outros integrantes do governo chegaram a criticar publicamente as condições do contrato. Mas, diante de pressões para acelerar a vacinação no País, o Executivo acabou por assinar os termos antes criticados para fechar a compra, somente em março, de 100 milhões de doses.

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