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Celebridades “O problema nem é a Dilma. Estamos vivendo uma desilusão geral no País.”

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Brasil à parte, ator se diz feliz com seu atual momento na carreira. Crédito: Reprodução

“Estamos vivendo uma grande desilusão.” É o que afirma o ator Marcelo Serrado, 48 anos. Segundo ele, isso “passa pelos políticos, pela segurança, tem até os cartolas da CBF [Confederação Brasileira de Futebol]…”. Em um cenário em que a corrupção não sai das manchetes e os partidos se atacam a toda hora, ele se diz contra o governo Dilma Rousseff, mas defende a ponderação quando se fala em impeachment da presidenta: “É preciso ter provas, e essas ainda não apareceram”. E completa: “O problema de fato nem é a Dilma. Estamos vivendo uma desilusão geral com a política do País”. Brasil à parte, Serrado se diz feliz com seu atual momento no novo programa “Tomara que Caia”, da TV Globo. Confira abaixo os melhores momentos da conversa com o ator.

Atores e apresentadores mirins foram censurados recentemente. Você deixaria seus filhos trabalharem antes de fazer 18 anos?

Marcelo Serrado – Quero que meus filhos curtam a infância deles ao máximo. Se quiserem ser artistas, poderão ser a partir dos 18.

E se algum deles quiser participar de uma peça antes disso?
Serrado – Não vai participar. Por uma questão de educação. Meu filho tem que andar de velocípede, jogar bola, estudar.

Já que falamos em jovens, você é a favor da redução da maioridade penal?
Serrado – Sou totalmente a favor. Dizer que um garoto de 16 anos que estupra uma menina não pode responder pelo que fez é um absurdo. Ele sabe exatamente o que faz com 16 anos. Sei que muitos estudantes são contra, mas queria ver se acontecesse uma tragédia familiar com algum deles, se eles não mudariam de ideia. O que há é muita demagogia.

Acha que estamos em uma fase de agitações políticas?
Serrado – Minha percepção é de que estamos vivendo uma das piores crises da história do Brasil. Uma crise de ideologia mas também financeira, das bravas. Uma crise de valores, em um País sem mando. O dólar subiu, os problemas são de ordem política, de segurança, temos até os cartolas da CBF. Pessoas sendo assassinadas andando de bicicleta no Rio de Janeiro. A cultura é afetada, o lazer, tudo é afetado de uma certa maneira. O lado bom é que a imprensa tem ajudado muito a abrir os olhos da população. A liberdade de imprensa nos trouxe muitos benefícios. Hoje ficamos sabendo das coisas que, em outras épocas, talvez não viéssemos a saber. É o que considero um dado positivo do atual momento.

Você chegou a gravar um vídeo de apoio ao movimento “Vem Pra Rua” na primeira manifestação contra o governo. Vai participar da próxima, em agosto?
Serrado – Não, mas vou apoiar. Acho que o movimento perdeu um pouco a força. As pessoas estão muito descrentes. Em um primeiro momento foi um ato forte, com milhares de pessoas indo para as ruas. Hoje, acho que esse gás está meio apagado, todo mundo meio cansado, muitos se perguntando: “Vai adiantar alguma coisa?”.

Você se sente assim?
Serrado – Um pouco. Acho que é um sentimento geral. Você percebe que o movimento estava mais forte na primeira vez.

Esse clima o levou, alguma vez, a pensar em deixar o País?
Serrado – Já, sim. Fiquei muito triste quando aconteceu a morte do ciclista no Rio. Isso mexeu muito comigo. A gente pensa em ir embora, mas não tem jeito, o fato é que eu tenho três filhos para criar e uma vida estabelecida aqui.

É a favor do impeachment da atual presidenta?
Serrado Sou completamente contra esse governo. Não votei na Dilma, mas acho que para tirá-la é preciso ter provas que a incriminem e essas ainda não existem. O problema, na verdade, nem é a Dilma. Estamos vivendo uma desilusão geral com a política do País. (Sofia Patsch/AE)

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