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Brasil O procurador-geral da República também quer dados da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro

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Território que está sendo 'fiscalizado' pela PGR é de interesse da família Bolsonaro. (Foto: Roberto Jayme/TSE)

O procurador-geral da República Augusto Aras solicitou dados da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro, área de interesse da família Bolsonaro, aponta ofício enviado pelo PGR à força-tarefa local. Assim como em Curitiba e São Paulo, a justificativa seria “subsidiar o exercício” da Procuradoria. Apurações da Lava-Jato Rio levaram à Operação Furna da Onça, deflagrada em 2018 para apurar esquema sistêmico de corrupção na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Foi nesta investigação que foi produzido o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou movimentações financeiras do ex-assessor Fabrício Queiroz. O documento levou à abertura do caso das “rachadinhas” contra Flávio Bolsonaro no Ministério Público do Rio.

A Furna da Onça também é alvo de investigação sobre vazamento de informações para a campanha dos Bolsonaro. As acusações foram feitas pelo empresário Paulo Marinho, suplente de Flávio no Senado e ex-aliado do Planalto. Em outra frente, a PF Rio é foco de apurações da própria Polícia Federal no inquérito que apura acusações do ex-ministro Sérgio Moro de supostas interferências políticas do presidente Jair Bolsonaro na corporação.

A solicitação de Aras cobrou o envio, em até dez dias, de dados eleitorais, de câmbio, de movimentação internacional, além de relatórios de inteligência financeira, declarações de impostos de renda e base consolidadas de informações. O pedido também engloba dados recebidos em colaborações ou fornecidos por outros órgãos à força-tarefa e base de evidências, como mídias coletadas em apreensões e quebras telemáticas.

A mesma requisição enviada à Lava-Jato Rio embasou a ida da subprocuradora Lindora Araújo à sede do Ministério Público Federal do Paraná nesta semana. Em resposta, a força-tarefa paranaense enviou ofício a Aras e à corregedoria-geral da PGR afirmando que a visita se tratou de uma “diligência” para recolher informações e dados da operação “sem prestar informações sobre a existência de um procedimento instaurado, formalização ou escopo definido”.

A visita de Lindora levou à debandada de três integrantes do grupo da Lava-Jato na PGR na sexta (26). Procuradores ouvidos reservadamente pela reportagem falaram de quebra de confiança, pontuando que o mal-estar gerado pela atitude da aliada de Aras fragiliza a atuação do MPF no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal em matéria criminal.

Em nota, a PGR negou as acusações da Lava-Jato Curitiba “Não houve inspeção, mas sim uma visita de trabalho que visava a obtenção de informações globais sobre o atual estágio das investigações e o acervo da força-tarefa para solicitar eventuais passivos. Um dos papéis dos órgãos superiores do Ministério Público Federal é o de organizar as forças de trabalho”, escreveu a Procuradoria (leia a nota completa no final desta notícia).

O ofício de Aras à Lava-Jato indica que os dados seriam enviados para a Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise do gabinete do PGR, que tem, entre suas funções “receber, processar, analisar e armazenar dados sigilosos obtidos por meio de decisões judiciais, de representações encaminhadas por órgãos públicos ou de requisição direta dos membros do MPF”.

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