Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de março de 2018
Em nota divulgada na tarde desse sábado, o PSOL informou que ingressará com uma representação no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contra a desembargadora Marília Castro Neves, do TJ-RS (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro). Em uma mensagem postada no Facebook, ela afirmou que a vereadora Marielle Franco, executada a tiros na noite da última quarta-feira, estava “engajada com bandidos”.
“De forma absolutamente irresponsável, a desembargadora entrou na narrativa que vem sido feita nas redes sociais para desconstruir a imagem de Marielle Franco, do PSOL e também da luta pelos direitos humanos”, ressalta o comunicado da cúpula da legenda. De acordo com a sigla, a ação deve ser protocolada já no início desta segunda-feira.
O comentário da juíza foi feito como resposta a uma postagem do advogado Paulo Nader, que chamou Marielle de ‘lutadora dos direitos humanos”, por conta da atuação da parlamentar na defesa de minorias e na denúncia de irregularidades como os abusos de autoridade por parte de forças policiais em comunidades periféricas do Rio de Janeiro.
Ativista dos direitos dos negros, mulheres e outros grupos, Marielle Franco foi morta com três tiros na cabeça e um no pescoço, em um atentado que também vitimou o motorista Anderson Gomes, que dirigia o carro em que a vereadora estava no banco de trás com uma assessora, que não se feriu.
As investigações já determinaram que um ou mais atiradores experientes crivaram o veículo com disparos de munição pertencente a um lote destinado à PF (Polícia Federal) de Brasília em 2006 e que havia sido roubado. Projetis do mesmo lote também foram utilizados na chacina que deixou 17 mortos na Grande São Paulo, em 2015.
Polêmica
O texto de Marília que deu origem à celeuma e indignou muita gente é recheado de acusações à vereadora assassinada: “A questão é que a tal Marielle não era apenas uma ‘lutadora’. Ela estava engajada com bandidos! Foi eleita pelo Comando Vermelho [uma das principais facções do crime organizado no País] e descumpriu ‘compromissos’ assumidos com os seus apoiadores”.
A magistrada insinuou que a morte de parlamentar do PSOL foi consequência de uma “cobrança de dívidas” com criminosos. “Qualquer outra coisa diversa é mimimi da esquerda tentando agregar valor a um cadáver tão comum quanto qualquer outro”, finalizou.
Marcinho VP
O partido também desmentiu outra história que circulou em redes de trocas de mensagem, como o WhatsApp, acusando Marielle de ter sido casada com o traficante Marcinho VP (Márcio Amaro de Oliveira) – que comandou a venda de drogas no morro Santa Marta, na Zona Sul do Rio, antes de ser morto em 2003.
O texto exibia uma suposta foto do “casal” e afirmava que eles tiveram um filho quando ela tinha 16 anos de idade. A imagem é falsa e nem mesmo retrata Marcinho VP ou Marielle Franco.
Uma das versões da história foi compartilhada pelo deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) em sua conta no Twitter. O PSOL afirmou que “estuda possíveis ações” contra o parlamentar, que é coronel da reserva da PM (Polícia Militar) do Distrito Federal e integra a chamada “bancada da bala”.
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