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Por Redação O Sul | 27 de abril de 2018
O PT aposentou o lema “Eleição sem Lula é fraude” após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que neste sábado completa três semanas. Nas notas oficiais do partido, o bordão – que sublinhava os documentos petistas – deu lugar à assinatura “Lula inocente / Lula livre / Lula presidente”.
Definida durante reunião da cúpula da legenda, a troca tem sido vista por analistas como um indício de que o PT não pretende boicotar as eleições caso o seu líder seja mesmo impedido de concorrer à Presidência da República na eleição deste ano.
A hipótese de boicote é defendida por uma ala petista. Segundo dirigentes partidários, no entanto, o lançamento de um nome alternativo, o chamado “plano B”, contaria hoje com o apoio de 90% interno.
A nova assinatura começou a ser utilizada “oficialmente” no dia 23, na resolução do Diretório Nacional do PT. Embora o texto reafirme a decisão de registrar a candidatura de Lula em agosto, a expressão “fraude” não consta do documento.
“A principal tarefa do Partido dos Trabalhadores, neste momento, é a de defender a inocência do ex-presidente Lula, lutar por sua liberdade e fazer valer o direito do povo brasileiro de votar em seu maior líder”, ressalta o texto.
No dia 15 de março, menos de quatro semanas após a condenação de Lula em segunda instância pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre), o lema expresso em uma nota ainda era “Eleição sem Lula é fraude”.
Já no dia 10 deste mês, o comando partidário já havia sinalizado para a sua substituição, ao determinar que os “comitês populares em defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato” deveriam se transformar, até 13 de abril, em “comitês Lula Livre”.
De acordo com fontes ligadas ao PT, a mudança aconteceu porque a legenda está prestes a lançar os seus candidatos a governador, senador e deputado. E que, por isso, seria incoerente questionar a legitimidade da eleição.
O novo mote também amplia a campanha pela libertação de Lula, ao permitir a participação dos partidos que têm outros candidatos à Presidência. Além disso, o próprio ex-presidente (que comandou o Executivo durante dois mandatos consecutivos, de 2003 a 2010) já se manifestou publicamente contra a ideia de um boicote.
Estratégia
No comando petista, a avaliação é de que Lula se transformou em um “cabo eleitoral” ainda mais poderoso após a sua prisão. A partir dessa constatação, a sigla manteve o cronograma de registro de sua candidatura no dia 15 agosto, após a formalização de seu nome na convenção nacional do PT, em julho. A intenção é criar uma comoção se a candidatura do ex-presidente for indeferida pela Justiça Eleitoral.
Esse calendário praticamente enterra qualquer possibilidade de aliança com o cearense Ciro Gomes, do PDT, no primeiro turno do pleito. Pela legislação eleitoral, o PT só poderá trocar o nome de Lula na urna por um nome do partido ou filiado a uma sigla que já integre a coligação petista. Ou seja: para trocar Lula por Ciro, PT e PDT devem estar coligados antes da retirada do nome do petista.
Dentro do PT, tem ganhado força o nome do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad como alternativa a Lula para a corrida presidencial. Na avaliação de segmentos petistas, Haddad tem revelado maior apetite para a disputa do que outros potenciais candidatos, como o ex-governador Jaques Wagner e o ex-ministro Celso Amorim.
Além disso, Haddad encarna o tema da Educação, um debate que Lula costuma valorizar. E é o líder petista, mesmo preso, que definirá o seu sucessor para a corrida presidencial.
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