Quinta-feira, 09 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 2 de setembro de 2018
Embora o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já tenha barrado a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT resiste a admitir que está fora da eleição e não pretende anunciar de imediato sua substituição pelo vice na chapa, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. A estratégia é utilizar os próximos dias de campanha em rádio e TV para confrontar a decisão da Justiça Eleitoral e reforçar a exposição da imagem de Lula, como já ocorreu no primeiro dia de propaganda. Também quer usar este período para o que chama de “transição” do candidato inelegível para o nome que efetivamente estará na urna no dia 7 de outubro. O plano será discutido nesta segunda-feira, em Curitiba, com o próprio Lula, que receberá a visita de Haddad na prisão.
Caso o próprio ex-presidente não altere o planejamento, o partido atuará em três frentes antes de anunciar Haddad. Além do uso ostensivo da imagem de Lula, o PT destinará seus dois minutos e 20 segundos de tempo no horário eleitoral para sustentar que o TSE descumpriu recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU para que a participação de Lula na disputa fosse assegurada. A tese, contudo, foi rechaçada por seis dos sete ministros da Corte eleitoral, sendo adotada apenas pelo ministro Edson Fachin. A legenda ainda vai usar a propaganda para apresentar Haddad, desconhecido por parcela expressiva do eleitorado petista, especialmente no Nordeste.
O PT tem dez dias para indicar um novo candidato. Se não fizer a indicação, fica fora da eleição. A Justiça Eleitoral autorizou o partido a continuar a exibir programa no horário eleitoral mesmo antes de indicar um novo nome, desde que Lula não seja apresentado como candidato e suas imagens não ocupem mais de 25% do tempo da propaganda.
No sábado, Haddad manteve sua agenda se apresentando como vice. O ex-prefeito visitou Garanhuns (PE), cidade natal de Lula. No local, gravou imagens para o programa eleitoral, fez uma caminhada no município e se encontrou com lideranças políticas da região. Mas resistiu o quanto pode a se apresentar como o substituto.
Haddad afirmou que o partido ainda buscará reverter a decisão contra a candidatura de Lula, com recurso ao STF.
“Enquanto couber recursos, vamos usar todos os meios jurídicos disponíveis”, disse.
Pela manhã, ele foi a uma fazenda no município de Caetés, vizinho a Garanhuns, para fazer gravações. Lula nasceu em Caetés, que na época era um distrito de Garanhuns.
“É o Andrade”
Na saída da fazenda, o ex-prefeito de São Paulo visitou rapidamente parentes distantes do ex-presidente que vivem na cidade e ouviu questionamentos sobre a sua indicação para candidato. Vestido com um chapéu de vaqueiro, foi indagado por uma mulher: “O Lula mandou votar em você?”
“Mandou votar em nós, porque nós formamos uma chapa”, despistou Haddad.
À tarde, na terra de Lula, Haddad sentiu novamente na pele os efeitos do desconhecimento. Apesar de ter sido assediado para posar para fotos, viu eleitores chamá-lo de “Andrade” ou simplesmente não saberem quem caminhava pelas ruas da cidade ao lado do governador Paulo Câmara (PSB), candidato à reeleição.
Na tentativa de apresentar Haddad, o locutor apelou: “Tem um ditado que diz: amigo do meu amigo é meu amigo também. Se Lula é nosso amigo, se é amigo de Paulo e é amigo de Haddad, Haddad também é nosso amigo.”
Antes, enquanto caminhava pelas ruas ao lado de Câmara, um homem gritava: “É o Andrade.”
O estudante Lucas de Oliveira Ramos, 19 anos, saiu do município de Águas Belas, a 80 quilômetros de Garanhuns, para participar do evento e conseguiu se aproximar dos políticos para fazer uma foto. Mas perguntou a pessoas de seu grupo quem era aquele ao lado de Paulo Câmara.
“Como é mesmo nome desse rapaz?”, indagava.
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