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Saúde O que a pandemia do coronavírus mudou em nossas vidas nos últimos três anos

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(Foto: Cesar Lopes/PMPA)

A maior crise sanitária do último século levou a longas medidas de quarentena, superlotação de hospitais, aumento da pobreza, e uma corrida sem precedentes pela vacina, desenvolvida pelos cientistas em tempo recorde. A globalização e a tecnologia permitiram que parte das atividades econômicas, sociais e educacionais continuasse funcionando mesmo em fases mais severas do isolamento social. Por outro lado, impulsionaram o avanço rápido da desinformação e do negacionismo científico em todo o mundo. Você se lembra de como era o mundo antes da pandemia? O que voltou ao normal e o que se transformou para valer desde que o vírus surgiu? Veja algumas das principais mudanças trazidas pela crise sanitária.

Saúde

Nos hospitais, houve um aprendizado sobre gestão de leitos e de UTIs, além do desenvolvimento de terapias e remédios. Em função da necessidade de isolamento social para frear o contágio, a telemedicina, conjunto de práticas ligadas ao uso de tecnologia da informação na Saúde, avançou velozmente. Para o epidemiologista Eliseu Waldman, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, ela veio para ficar, mas com ressalvas. “É preciso preparo para que as instituições ofereçam essa forma de atendimento para acompanhamento ou orientações rápidas. Quem necessita de atenção maior precisa de atendimento presencial”, afirma.

Educação

A pandemia colocou a escola para pensar novas formas de trabalhar o ensinoaprendizagem ao impor quase dois anos de afastamento total ou parcial das salas de aula. Alunos e professores tiveram de se adaptar a práticas remotas, basicamente por computadores, celulares e tablets – uma revolução digital que antecipou transformações que já ocorriam.

Por outro lado, a longa quarentena reforçou a importância da escola no acolhimento dos alunos e das famílias, nos aspectos pedagógico e emocional. Diante do isolamento, alguns colégios passaram ainda a dar mais atenção a habilidades além dos resultados em exames, como as competências socioemocionais. Carolina Campos, diretora executiva do Vozes da Educação, destaca a necessidade de cuidados com a saúde mental. “Na volta dos alunos, havia dificuldade de seguir regras básicas de conduta e convivência”, afirmou.

“Agora, seria importante implantar protocolos de saúde mental, combate ao racismo, xenofobia e intolerância. O trauma não para na porta da escola. Ele entra. Tivemos lutos que não foram processados da melhor forma, sem acolhimento de educador e de estudante”, acrescentou a especialista.

Trabalho

Um conceito que estava no radar das empresas, mas permanecia sob incerteza, se instalou de vez: o trabalho remoto (home office). Com isso, a tecnologia ganhou espaço, como explica Milena Bizzarri, diretora de Recursos Humanos e Marketing e Comunicação da Mazars.

“Falar por vídeo hoje é tão natural quanto presencialmente. Além disso, compartilhar é palavra de ordem. Trabalhar em documentos compartilhados foi um avanço em muitas empresas”, diz ela. Entre a quarentena e o retorno, ganharam força os modelos híbridos (parte em casa e parte no escritório).

O período também deixou impactos socioeconômicos profundos sobre diversas parcelas da população, com aumento do desemprego e do trabalho informal, além da explosão do número de famílias sem-teto.

Ciência

A ciência, com a vacina, venceu a pandemia. Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC), destaca que o “maior avanço é perceber que podemos fazer ciência em colaboração internacional”.

Já para Domingos Alves, professor de Medicina da USP Ribeirão Preto, as pessoas aprenderam melhor a presença da ciência no cotidiano. “Antes da pandemia, era difícil que as pessoas percebessem.” Um desafio agora será fazer com que os governos mantenham os investimentos na pesquisa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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