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Notícias O que acontece se você sair do Facebook por 30 dias? Um estudo descobriu

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Muitos já se sentiram tentados a abandonar a rede social. (Foto: Reprodução)

Muitos já se sentiram tentados a abandonar a rede social, mas o que aconteceria com seu estado psicológico se isso se concretizasse? Para descobrir a resposta, pesquisadores da Universidade Stanford realizaram um estudo com centenas de usuários – e o resultado é intrigante.

Divulgada no mês passado, a pesquisa teve foco na saúde mental dos participantes. Alguns voluntários, e outros recebendo uma compensação em dinheiro, foram convidados a abandonar a rede social por um mês para que as consequências pudessem ser observadas e analisadas.

As mudanças mais evidentes foram as seguintes:

– Menos tempo on-line foi gasto, visto que o Facebook não foi substituído por outra rede social ou aplicativo;

– Mais tempo foi passado com a família e amigos próximos;

– Não havia muita consciência do cenário político, mas foi percebida mais tolerância;

– Houve a alegação de estarem “se sentindo melhor”;

– Foi reforçada uma antiga hipótese de que a rede social só seria benéfica para usuários excessivamente ativos.

Ademais, muitos alegaram estar planejando usar menos – ou não voltar para – o Facebook após o estudo.

A perspectiva dos autores

O portal de notícias Recode entrou em contato com um dos autores do estudo, Matthew Gentzkow, professor de Economia da Universidade Stanford, para discutir os resultados do experimento. Para o pesquisador, a falta de consumo de notícias e de conteúdo relacionado a política foi o que tornou os usuários menos polarizados – e, como consequência, mais tolerantes. “A postura agressiva das pessoas é muito vinculada a quão engajadas estão. […] Para muitos, estar no Facebook significa ler mais, consumir mais, discutir mais, e isso não é culpa do algoritmo da rede social”, disse.

O professor também especula que a razão para a rede social criar um ambiente mais hostil do que qualquer outro podem ser as “bolhas sociais”: “É bem mais provável que liberais e conservadores consumam os mesmos canais de televisão, revistas ou portais de notícias do que sejam amigos no Facebook”, alegou, destacando a segregação ideológica causada pelo site.

Sobre a considerável redução de engajamento político dos participantes, Gentzkow questiona: “Não é melhor que tenhamos pessoas que sabem menos, menos engajadas, mas que são mais bem-humoradas?”. Definindo o efeito colateral como inevitável, o pesquisador não sabe definir até que ponto o acesso à informação é inofensivo.

“Voluntários” exigentes

Quando receberam a proposta de abrir mão da rede social, muitos não a aceitaram de graça. “Várias pessoas pediram até 100 dólares; já outras pediram valores muito acima disso”, relatou o professor. E completou que “Também houve respostas como: ‘você não pode pagar o bastante para me fazer sair do Facebook’.”.

Por fim, Gentzkow disse não poder afirmar se o Facebook é realmente prejudicial para a sociedade – mas não há dúvidas de que alguns usuários são exageradamente presos à rede social.

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