Terça-feira, 24 de março de 2026
Por Redação O Sul | 20 de março de 2026
Ter cáries e doença gengival ao mesmo tempo pode estar associado a um risco significativamente maior de acidente vascular cerebral (AVC). Um estudo publicado na revista científica Neurology Open Access, da Academia Americana de Neurologia, encontrou uma associação entre a combinação desses problemas bucais e um aumento no risco de AVC em comparação com pessoas que têm boa saúde bucal.
Os resultados também indicam que a má saúde bucal pode estar relacionada a um risco 36% maior de eventos cardiovasculares graves, como ataque cardíaco, doença cardíaca fatal ou AVC.
A pesquisa não prova que os problemas bucais causem diretamente os AVCs, mas sugere que melhorar a saúde bucal pode ser uma estratégia importante – e frequentemente negligenciada – na prevenção da doença.
O que diz o estudo
O trabalho analisou dados de 5.986 adultos, com idade média de 63 anos, que não tinham histórico de AVC no início do estudo.
Todos os participantes passaram por exames odontológicos para avaliar a presença de cáries, doença gengival (periodontal) ou ambas. A partir disso, os pesquisadores dividiram o grupo em três categorias:
– pessoas com boca saudável;
– pessoas com apenas doença gengival;
– pessoas com doença gengival e cáries.
Os participantes foram acompanhados por duas décadas, com base em contatos telefônicos e registros médicos, para identificar quem desenvolveu AVC ao longo do tempo.
Risco maior entre quem tem dois problemas bucais: Durante o acompanhamento, os pesquisadores observaram diferenças importantes entre os grupos.
Entre os participantes com boca saudável, 4% sofreram um AVC.
Já entre aqueles com apenas doença gengival, o índice foi de 7%.
No grupo com doença gengival e cáries, o número chegou a 10%.
Após ajustes para fatores como idade, índice de massa corporal e tabagismo, os resultados mostraram que:
– pessoas com doença gengival e cáries tinham 86% mais risco de AVC em comparação com quem tinha boca saudável;
– aquelas com apenas doença gengival apresentaram 44% mais risco.
Relação com doenças do coração: Além do AVC, o estudo analisou a ocorrência de eventos cardiovasculares graves, como ataque cardíaco, doença cardíaca fatal ou o próprio AVC.
Nesse panorama geral, pessoas com doença gengival e cáries tiveram um risco 36% maior desses eventos em comparação com participantes com boa saúde bucal.
Visitas ao dentista podem fazer diferença – A pesquisa também avaliou hábitos de cuidados odontológicos. Os participantes que relataram visitar o dentista regularmente apresentaram:
– 81% menos probabilidade de ter simultaneamente doença gengival e cáries;
– 29% menos probabilidade de apresentar apenas doença gengival.
Segundo o autor do estudo, Souvik Sen, da Universidade da Carolina do Sul, os resultados reforçam a importância de cuidar da saúde bucal.
“Este estudo reforça a ideia de que cuidar dos dentes e gengivas não se resume apenas ao sorriso; pode ajudar a proteger o cérebro”, afirmou.
A diretora da Associação Brasileira de Odontologia Ludimila Saiter explicou ao g1 que existem dois mecanismos podem ligar uma infecção na boca a problemas cardiovasculares ou cerebrais. O primeiro é a via direta e segundo é a inflamação sistêmica.
“As bactérias da cavidade bucal entram na corrente sanguínea através da inflamação gengival e podem se alojar nas válvulas do coração ou em placas de gordura nas artérias. Além disso, uma infecção bucal crônica faz o corpo produzir substâncias inflamatórias que circulam por todo o organismo, danificando os vasos sanguíneos e aumentando o risco de infarto e AVC, por exemplo”, afirmou.
Além do AVC, o estudo analisou a ocorrência de eventos cardiovasculares graves, como ataque cardíaco, doença cardíaca fatal ou o próprio AVC.
Nesse panorama geral, pessoas com doença gengival e cáries tiveram um risco 36% maior desses eventos em comparação com participantes com boa saúde bucal.
Visitas ao dentista podem fazer diferença – A pesquisa também avaliou hábitos de cuidados odontológicos. Os participantes que relataram visitar o dentista regularmente apresentaram:
– 81% menos probabilidade de ter simultaneamente doença gengival e cáries;
– 29% menos probabilidade de apresentar apenas doença gengival.
Segundo o autor do estudo, Souvik Sen, da Universidade da Carolina do Sul, os resultados reforçam a importância de cuidar da saúde bucal.
“Este estudo reforça a ideia de que cuidar dos dentes e gengivas não se resume apenas ao sorriso; pode ajudar a proteger o cérebro”, afirmou.
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