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Brasil O que deu errado em Manaus? Veja como a cidade sucumbiu ao coronavírus

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Pacientes de Manaus foram transportados para outras cidades. (Foto: FAB/Divulgação)

O colapso de Manaus diante do coronavírus é fruto de uma sucessão de erros. A cidade, que foi a primeira capital brasileira a sucumbir diante do coronavírus, ainda em abril e maio de 2020, acreditou em trabalhos científicos que corroborariam a tese equivocada de que ela atingiu a imunidade de rebanho.

Segundo a Sociedade Amazonense de Terapia Intensiva, as autoridades do estado não investiram em “leitos, insumos e recursos humanos para uma possível segunda onda”. A população também tem sua parcela de culpa: a entidade ressaltou que não foram respeitadas medidas básicas, embora exaustivamente informadas, como o “uso de máscaras de proteção, higienização das mãos e o distanciamento social”.

O governador Wilson Lima (PSC) negou arrependimento por revogar um lockdown que, em dezembro, suspendeu o comércio em Manaus por menos de uma semana. Mas o secretário estadual de Saúde, Marcellus Campêlo, afirmou que a cidade optou pela contaminação ao manter aglomerações e fazer festas no fim do ano, inclusive clandestinas. Outro motivo de preocupação é a chegada de uma nova cepa, que veio com turistas japoneses, entre dezembro e janeiro, e cujo índice de transmissibilidade ainda é alvo de estudos.

Veja como evoluiu a crise na cidade:

Abril/maio de 2020

A pandemia provoca o colapso do sistema hospitalar de Manaus, cidade com dois milhões de habitantes que chegou a registrar mais de cem óbitos por dia e engarrafamento de carros de agências funerárias em frente aos cemitérios. Para dar conta do número de mortes, a cidade passa a fazer enterros em covas coletivas.

Junho de 2020

Pesquisa preliminar do Instituto de Medicina Tropical da USP, com colaboração da Universidade de Oxford, na Inglaterra, conclui que até 66% da população de Manaus foram expostos à Covid-19, e a cidade já teria, dessa forma, atingido o status de “imunidade de rebanho”.

Setembro de 2020

Internações por Covid-19 voltam a crescer. Nos meses seguintes, hospitais montam tendas externas para fazer triagem de pacientes.

23 de dezembro de 2020

O governador Wilson Lima (PSC) edita decreto proibindo a abertura de atividades não essenciais por 15 dias, por conta do avanço do coronavírus no estado.

27 de dezembro de 2020

Após uma série de protestos nas ruas, Lima volta atrás e permite reabertura do comércio.

4 de janeiro de 2021

Pressionado pelo aumento de casos, o governo estadual publica um novo decreto suspendendo atividades econômicas não essenciais por 15 dias.

12 de janeiro

Fiocruz confirma identificação de nova cepa da Covid-19 no Amazonas. A variante foi encontrada em Tóquio em quatro viajantes japoneses que haviam passado pelo estado entre dezembro e janeiro.

14 de janeiro

Acabam os estoques de oxigênio em diversos hospitais da cidade, e pacientes começam a morrer por asfixia.

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