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Geral O que diz a empresa aérea Voepass após a Polícia Federal indiciar funcionários por queda de avião que matou 62 pessoas em São Paulo

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A queda do voo 2283, em agosto de 2024, em Vinhedo (SP). (Foto: Reprodução)

A Voepass divulgou uma nota na quinta-feira (6) informando que tinha equipes experientes e preparadas para cumprir procedimentos em situações de risco após o indiciamento de 16 funcionários da companhia aérea, entre eles dirigentes, por condutas e omissões que levaram à queda do voo 2283, em agosto de 2024, em Vinhedo (SP).

“Os treinamentos de pilotos contemplavam os procedimentos previstos para o enfrentamento de condições de formação de gelo, incluindo medidas como alteração de altitude e velocidade, conforme as orientações do fabricante da aeronave e os protocolos operacionais aplicáveis”, comunicou a empresa.

Nas investigações após a tragédia, tanto o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) quanto a Polícia Federal apontaram falhas operacionais da companhia, inclusive reiteradas, que contribuíram para o desastre aéreo.

Entre os principais problemas está a omissão de registros em diários de bordo sobre panes nas aeronaves, como no sistema de degelo, que não funcionou no dia do acidente, quando o avião teve formação de gelo severo, mesmo já sendo de conhecimento das equipes.

Com a conclusão do relatório, o sócio majoritário da empresa, José Luiz Felício Filho e outras 15 pessoas, entre diretores e funcionários ligados à manutenção, pilotos e liberação de aviões, respondem em sua maioria pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo e estão impedidos de deixar o Brasil.

O atentado contra a segurança do transporte aéreo é previsto no artigo 261 do Código Penal. O crime ocorre quando alguém expõe a perigo uma aeronave ou dificulta, ou impede a navegação aérea. A pena prevista é de 2 a 5 anos de prisão. Se do fato resulta a queda ou destruição da aeronave, a pena passa para 4 a 12 anos. Se houver morte, a pena pode ser aplicada em dobro.

Já conhecida como Passaredo e por ter sido um importante operador de viagens regionais, a Voepass encerrou as atividades em 2025 depois de ter o certificado de operador aéreo cassado pela Anac e de enfrentar uma crise financeira sem precedentes em sua história com demissão em massa e dívidas acima dos R$ 400 milhões.

Financeiramente prejudicada, a empresa entrou em recuperação judicial e, no final de 2025, os credores aprovaram um plano de reestruturação para parte das empresas do grupo, visando quitar débitos trabalhistas e negociar slots aeroportuários (Slots: cotas ou horários específicos para pousos e decolagens em aeroportos).

O processo de recuperação judicial ainda não foi homologado pela Justiça porque ainda está pendente a apresentação de certidão negativa de débitos, ou seja, o documento que comprova que as empresas não têm pendências com órgãos oficiais.

Em paralelo, a Voepass aguarda a análise de um agravo de instrumento para tentar inserir a Passaredo Transportes Aéreos – maior empresa do grupo e com as maiores dívidas – no plano de recuperação e ainda tenta meios de negociar os chamados slots até então com direitos pertencentes à Voepass, mas já redistribuídos pela Anac.

O que diz a Voepass

Na nota, a Voepass informou que a segurança operacional sempre foi sua prioridade e que contou, desde 2012, com certificação concedida pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) às companhias aprovadas em rigorosa auditoria internacional.

“Ao longo de mais de 30 anos de atuação na aviação brasileira, a companhia adotou rigorosamente todos os protocolos de segurança, manutenção e capacitação de tripulações previstos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).”

A companhia também comunicou que os treinamentos com pilotos incluíam procedimentos previstos para enfrentar condições de formação de gelo, incluindo medidas como alteração de altitude e velocidade.

“As tripulações eram permanentemente orientadas a cumprir rigorosamente esses procedimentos, de acordo com cada cenário operacional.”

A Voepass também informou que a tripulação do voo 2283, que caiu em Vinhedo, tinha profissionais experientes e certificados, com mais de 5 mil horas de voo, sem registros prévios que comprometessem a aptidão.

“Desde o início das investigações, a VOEPASS colaborou integralmente com as autoridades, disponibilizando documentos, diários de bordo, registros operacionais e relatórios técnicos ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e à Polícia Federal.”

A companhia também informou que o relatório da Polícia Federal integra a fase investigatória e que vai aguardar os desdobramentos do processo para exercer seu direito de defesa.

“A Voepass reitera sua solidariedade às famílias das vítimas e reafirma que permanece à disposição das autoridades, das instituições competentes e dos demais agentes envolvidos para prestar todos os esclarecimentos necessários.”

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