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Armando Burd O QUE MAIS QUEREM OS GOVERNOS?

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Em 1995, os brasileiros pagariam a carga tributária mais alta da história: 30,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Foi o anúncio dos jornais a 11 de novembro daquele ano, prevendo ainda que, em 1996, haveria aumento de 2 por cento. O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, disse que os tributos, embora altos, eram inferiores aos de muitos países desenvolvidos. Esqueceu de fazer a comparação sobre a qualidade dos serviços públicos prestados aos contribuintes.

Maciel acrescentou que o problema estava na má distribuição dos tributos. Desde 1995, o problema só se agravou. Ele também reconheceu: a sonegação atingia 70 por cento do que poderia ser arrecadado.

Em 2014, a carga tributária no Brasil correspondeu a 33,4 por cento do PIB do país, atingindo 5 trilhões e160 bilhões de reais, segundo informação da Receita Federal. Representou queda em relação a 2013, quando a carga foi de 33,7% do PIB. O número anteriormente divulgado foi de 35,9 por cento.

A queda da carga tributária deveu-se principalmente à retração da Economia e às políticas de isenções fiscais adotadas pelo governo, segundo avaliação da própria Receita. As desonerações estão entre os principais motivos para a piora das contas públicas que o governo enfrenta em 2015.

O crescimento da arrecadação só se dará com o aumento da produção e as perspectivas não são boas. Por exemplo: o Banco Mundial, recentemente, divulgou o ranking da facilidade em fazer negócios, que avalia o ambiente econômico para as empresas em 189 países. O Brasil ficou apenas na 116ª colocação.

Nos quesitos avaliados, como infraestrutura, fornecimento de energia e acesso ao crédito, o pior desempenho brasileiro foi na avaliação dos impostos do país. As empresas, no Brasil, precisam de 11 procedimentos e nada menos do que 2 mil e 600 horas anuais para cumprir seus compromissos com o Fisco. Isso põe o país na 178ª colocação. A média das economias de renda elevada, que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, é de 177 horas.

Enquanto a burocracia não for derrotada, continuaremos pagando caro.

 

 

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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