Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 13 de março de 2018
Aeroporto Internacional de Viracopos, Campinas (SP). Em uma ação ousada, na noite do dia 4 de março, um grupo com pelo menos cinco homens armados com fuzis invadiu o pátio do terminal de cargas e roubou 5 milhões de dólares, além de quantias em libras e reais, que iriam para a Suíça. Sem disparar um único tiro, os criminosos entraram e saíram do sítio aeroportuário em apenas seis minutos. Uma semana depois do crime, nenhum suspeito foi preso ou dinheiro apreendido.
Abaixo, veja o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o ataque:
Como foi o roubo em Viracopos?
Em seis minutos, 5 milhões de dólares, além de uma quantia em libras e reais, foram levados;
Com um carro modelo Hilux clonado, igual ao usado pela segurança do aeroporto, criminosos acessaram um portões dos fundos da área de Viracopos;
Derrubaram 6 metros de extensão de alambrado e entraram na estrada que dá acesso ao Portão 18;
Percorreram uma estrada interna, derrubaram o segundo portão e seguiram rumo ao terminal de cargas;
Se depararam com uma viatura da segurança com dois vigias, que foram rendidos e presos em uma van;
Passaram por guaritas sem serem abordados;
Seguiram até o pátio onde as aeronaves ficam estacionadas no terminal de cargas e pegaram o dinheiro;
Deixaram o local pela mesma estrada;
Saíram da área do aeroporto pelo Portão 16 e fugiram.
O que já se sabe
De quem era o dinheiro
A Receita Federal confirmou que o montante seria enviado à Suíça pelo Banco Rendimento, que trabalha com importação e exportação de moedas. Imagens obtidas pela EPTV, afiliada da TV Globo, mostram o contâiner onde estava o dinheiro. O objeto havia sido retirado da aeronave da empresa Lufthansa Cargo e colocado no pátio do setor de cargas no momento do assalto. Segundo a Receita Federal, ele pesa cerca de 186 quilos.
Itinerário da viagem
O voo partiu de Guarulhos, fez uma escala em Viracopos, seguiria com escala em Buenos Aires, na Argentina, e iria até Frankfurt, na Alemanha. De lá, em outro veículo, o dinheiro seria levado até Zurique, na Suiça.
Delegado da Receita Federal em Campinas (SP), Antônio Andrade Leal explicou que a remessa de dólares foi declarada oficialmente às autoridades e, a princípio, não havia irregularidades. Segundo o delegado é comum a retirada de carga para o acréscimo de outros volumes. “Para fazer um balanceamento, distribuição mais adequada”, diz.
Quem investiga
Além da Polícia Federal, a Receita Federal também apura o caso.
Pistas
O veículo clonado da segurança e utilizado pela quadrilha para entrar no terminal e realizar o roubo foi localizado queimado. A Polícia Federal recebeu imagens do circuito interno do Aeroporto Internacional de Viracopos que mostram a ação do bando. Também teve acesso a áudios de conversas da equipe de segurança interna após a ação do grupo. Ainda é apurado se o assalto tem relação com uma quadrilha presa em novembro passado com carros e coletes clonados da Receita e da Polícia Federal.
Pelo menos cinco bandidos participaram da ação na noite do dia 4 de março. A polícia já ouviu 32 pessoas no inquérito. Até agora são 18 suspeitos, a maioria funcionários dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos.
Esquema de segurança
Em meio a dívidas, o contrato de concessão foi rompido e uma nova firma assumiu o serviço há três meses. Nessa transição, o aeroporto perdeu 60 seguranças, segundo a PF. Nas proximidades da pista internada do aeroporto, a reportagem do Fantástico constatou que não há câmera de monitoramento, a estrada é deserta e sem iluminação.
A Agência Nacional de Aviação Civil solicitou à concessionária que administra Viracopos um relatório com detalhes sobre o roubo de US$ 5 milhões no terminal de cargas. O documento será avaliado pela área técnica e serve para verificar se o aeroporto atende às normas de Segurança da Avsec (Aviação Civil Contra Atos de Interferência Ilícita).
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