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Futebol O que se sabe sobre o caso de Cuca, condenado por atentado ao pudor contra uma menina de 13 anos na Suíça, em 1987

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Desde que foi anunciado pelo Corinthians, o técnico Cuca vem enfrentando uma onda de protestos. (Foto: Rodrigo Coca/Ag.Corinthians)

Desde que foi anunciado pelo Corinthians, o técnico Cuca vem enfrentando uma onda de protestos por causa da condenação por atentado ao pudor com uso de violência contra uma menina de 13 anos na Suíça, em 1987, junto com outros três jogadores do Grêmio à época. O caso, que ficou conhecido com o “Escândalo de Berna” voltou à tona na última semana e detalhes do processo estão sendo revisitados.

– O que foi o “Escândalo de Berna” envolvendo jogadores do Grêmio? Em julho de 1987, o Grêmio fez uma excursão à Suíça para participar da Copa Philipps. No primeiro jogo, o time comandado por Luiz Felipe Scolari venceu o Benfica por 2 a 1, no dia 29 daquele mês. No dia seguinte, no entanto, quatro agentes suíços se dirigiram até o Hotel Metropolitano, em Berna, e, por ordem do juiz local Jurg Blaser, prenderam Cuca, Eduardo, Fernando e Henrique sob a acusação de terem cometido atentado violento ao pudor com uso de violência contra a adolescente de 13 anos Sandra Pfaffli. Os quatro permaneceram presos por um mês – Cuca ficou sozinho em Burgdorf a 22km de Berna – até conseguirem a liberação para voltar ao Brasil após pagamento de fiança.

– O que diz o depoimento da vítima? Segundo o depoimento da jovem, ela estava nos corredores do hotel onde a delegação gremista estava hospedada, acompanhada por dois amigos da mesma idade, em busca de lembranças da equipe gaúcha. Até que teria sido levada para o quarto 204, onde estavam os atletas. Lá, a garota explicou ter tirado a blusa para mostrar em mímica que desejava de recordação uma camisa do Grêmio, pois não conseguia fazer se entender em francês ou alemão. Depois disso, por cerca de 30 minutos, foi obrigada a manter relações sexuais. De acordo com a adolescente, apenas Fernando não participou ativamente do ato e deixou o quarto.

– A jovem reconheceu Cuca? Reportagens da imprensa brasileira na época, dizem que a jovem não reconheceu Cuca e Fernando – Henrique e Eduardo confessaram que mantiveram relações sexuais, de forma consensual, ao juiz-instrutor Jurg Blaser. Porém, o advogado da vítima, em entrevista ao portal de notícias UOL, afirmou que ela reconheceu o então jogador de 23 anos como um dos agressores.

Em sua entrevista de apresentação no Corinthians, Cuca disse que ele não foi reconhecido pela vítima. a declaração foi desmentida pelo advogado Willi Egloff, contratado pela família da vítima para acompanhar o caso. Em entrevista UOL, Egloff disse que a vítima reconheceu Cuca e que o sêmen dele foi usado como prova pela Justiça. “A declaração de Alexi Stival [Cuca] é falsa. A garota o reconheceu como um dos estupradores. Ele foi condenado por relações sexuais com uma menor”, afirma o advogado suíço.

– O que disse a defesa dos jogadores? Baseado em depoimentos dos jogadores, eles alegaram que a adolescente parecia ter mais de 18 anos, teria entrado no quarto dos atletas e tirado a blusa em troca de uma camisa da equipe gaúcha. Na época, Cuca afirmou ter se surpreendido com a idade da jovem, pois parecia ser mais velha. Outros jogadores afirmaram que a viram sair do quarto “feliz”.

– Do que os jogadores foram acusados? Os jogadores foram enquadrados no artigo 187 do Código Penal da Suíça, que previa uma reclusão de até cinco anos, por quem se envolver em um ato sexual com uma criança menor de 16 anos, ou incite a criança a cometer tal atividade ou envolva uma criança em um ato sexual. A Justiça, no entanto, entendeu que não houve violência. Por isso, eles não foram enquadrados no artigo 191, que prevê pena de até 10 anos a “qualquer pessoa que, tendo conhecimento que a outra pessoa está incapaz de discernir ou oferecer resistência, tenha relação sexual ou cometa um ato similar à relação sexual”.

– Havia provas materiais contra Cuca? Sim. Foi encontrado sêmen do jogador na vítima comprovado por exame realizado pelo Instituto de Medicina Legal da Universidade de Berna.

– Houve condenação? Sim. Em 1989, Cuca, Henrique e Eduardo foram condenados a 15 meses de prisão e ao pagamento de US$ 8 mil cada pelo que a Justiça Suíça considerou violência sexual contra pessoa vulnerável. Absolvido da acusação, Fernando foi condenado a três meses de prisão e ao pagamento de multa de U$ 4 mil por ter sido considerado cúmplice do crime.

– Os jogadores cumpriram pena? Não. Após negociações infrutíferas com o Itamaraty, o Grêmio pagou fiança de US$ 1,5 mil e os jogadores foram liberados para voltar ao Brasil. No entanto, eles tiveram que se comprometer a voltar à Suíça caso fossem convocados para qualquer audiência. Porém, eles não retornaram, foram julgados de acordo com a lei suíça e condenados. Mas como o Brasil não extradita seus cidadãos, eles não foram presos.

– O que crime já prescreveu? Sim, em 2004, após 15 anos da condenação. Eles podem retornar à Suíça sem riscos.

– O que Cuca diz sobre o caso? Em entrevista de 2021, Cuca negou que tenha abusado sexualmente da jovem e que tenha sido julgado e condenado. Na mesma ocasião, ele afirmou que houve uma condenação por ter uma menor adentrado o quarto, mas sem abuso sexual, e ressaltou que tem uma lembrança muita vaga do que aconteceu. No retorno ao Brasil, ainda em 1987, Cuca havia dito que ficou na porta do quarto e achou que a jovem tinha mais de 18 anos.

Nesta terça-feira, o técnico informou que contratou uma banca de advogados na Suíça. “Diante das notícias veiculadas nos últimos dias a seu respeito, [Cuca] comunica que a partir desta nota, ele se manifestará e será representado exclusivamente por meio de seus advogados que contam com representantes na Suíça”, disse o técnico, por meio de nota. As informações são do jornal O Globo.

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