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Geral O que virou o jogo para a Ucrânia na guerra contra a Rússia? Entenda

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Um dos pontos subestimados pela Rússia foi a forte resistência do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. (Foto: Reprodução)

No início da guerra entre Rússia e Ucrânia, o poderio bélico levava a crer que a invasão do território ucraniano seria rapidamente concluída pelas forças russas e que a “operação militar especial”, como foi classificada pelo presidente russo, Vladimir Putin, duraria pouco tempo.

No último dia 24, a guerra completou um ano, sem previsão de acabar. Mesmo tendo um dos exércitos mais poderosos do mundo, a Rússia não conseguiu concluir seu objetivo.

Inicialmente, Putin dizia que sua ideia era combater células nazistas, que estavam em territórios no leste da Ucrânia. Esses locais, Lugansk e Donetsk, foram reconhecidos como independentes pelos russos.

No dia do anúncio da operação militar, a Rússia atacou não só a região separatista, como outros pontos do país vizinho, incluindo a capital, Kiev. A ofensiva foi muito maior que o esperado e poderia gerar medo do que mais poderia vir.

Danielle Jacon Ayres Pinto, professora Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina e ex-vice-presidente da Associação Brasileira de Defesa (Abed), acredita que um dos pontos subestimados pelo presidente russo foi a forte resistência do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e de grande parte da população local.

Outro fator que mudou a dinâmica da guerra nos seus primeiros meses foram as fortes sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido, como o impedimento de importação de produtos russos e a retirada de bancos russos do sistema de pagamento internacional Swift, utilizado para pagamento em moeda de diferentes países de maneira rápida e segura.

Por conta dos bloqueios, a economia da Rússia encolheu 4% no segundo semestre de 2022 e, pela primeira vez desde 1918, o país deu um calote na dívida externa.

“As sanções, da maneira que elas foram aplicadas, foram um baque inicial muito forte ao Putin, porque elas fizeram com que logo no início da guerra ele precisasse enfrentar problemas econômicos sérios e algum tipo de resistência interna com relação ao país entrar em conflito com um país vizinho, que ele até conseguiu reverter parcialmente”, explica Danielle.

A professora também apontou que a ajuda militar dos Estados Unidos e de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) foi um fator importante para a equiparação de forças.

No entanto, o auxílio externo fez apenas com que a Ucrânia conseguisse estender o conflito no seu território.

“Minha análise é de que é razoável, para os países do Ocidente, como os EUA, que a Rússia se mantenha “ocupada” com a Ucrânia, principalmente pensando num possível alinhamento com a China – com as duas formando um grande poderio. A ajuda é grande, mas serve apenas para resistir a uma agressão externa. Tanto que o Zelensky segue demandando material bélico”, afirma.

Rubens Ricupero, diplomata e conselheiro emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), se surpreendeu com o baixo poder das tropas russas.

“A surpresa foi geral, não só da Rússia. É de se lembrar que, no início do conflito, os EUA e os ingleses ofereceram a possibilidade do Zelensky sair da Ucrânia e formar um governo no exílio. Claro que a Ucrânia conseguiu mudar bastante o cenário previsto, mas também há toda a questão de que toda guerra tem sua parcela de incerteza”, afirma.

Para Ricupero, não há possibilidade de solução a curto prazo e que o envolvimento da China pode ser um complicador para o conflito.

“Uma aliança chinesa com a Rússia seria um passo que acentuaria o conflito”, resume. As informações são do jornal Valor Econômico.

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