Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de novembro de 2017
Durante cerca de quatro horas o empresário Joesley Batista, um dos controladores do grupo J&F, se recusou a responder às perguntas dos deputados e senadores da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) Mista da JBS e da CPI do BNDES do Senado. As informações são da Agência Câmara.
O relator da CPI, deputado Carlos Marun, do PMDB do Mato Grosso do Sul, atacou diretamente o empresário, sustentando que Joesley Batista foi induzido a delatar crimes por interesses políticos e financeiros de membros do Ministério Público.
O acordo de colaboração feito pelos controladores da JBS embasou, por exemplo, denúncias contra o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves. Diante da falta de respostas, Marun disse que Joesley foi cooptado em troca de benefícios legais.
“Eu acho que o senhor não é tão bandido quanto o senhor confessa ser, sinceramente. Empresário arrojado, investimentos importantes para o País. Mas o senhor, chegou num momento em que o senhor, que era um mafiosinho de terceira categoria, resolveu achar que era o Al Capone. E aí o senhor foi lá e confessou e falou coisas, cooptado por esta ideia de correr logo para os Estados Unidos. É essa a minha impressão”, afirmou.
A posição de Marun não é consensual na CPI. O deputado João Gualberto, do PSDB da Bahia, acusa a comissão de querer investigar o Ministério Público e não o pagamento de propina a políticos.
Joesley e o irmão dele, Wesley Batista, estão presos, suspeitos de usar informações privilegiadas para obter lucro com compra de dólares e venda de ações da própria JBS antes da divulgação do acordo de colaboração que fizeram com o Ministério Público.
Os dois, assim como o ex-diretor da JBS Ricardo Saud, perderam os benefícios legais de sua delação, entre os quais a imunidade penal, depois de acusados de omitir informações ao Ministério Público.
Em gravações feitas aparentemente por acidente, Joesley e Saud davam a entender que receberam informações privilegiadas de integrantes da equipe do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, antes da formalização dos acordos.
Eles mencionaram principalmente o ex-procurador Marcelo Miller, que deixou o Ministério Público para advogar para a JBS.
Na reunião conjunta das duas comissões parlamentares de inquérito, no entanto, Joesley optou pelo silêncio. “Joesley vai continuar colaborando com a Justiça, mas a orientação é a mesma feita ao Wesley [irmão de Joesley, também controlador do grupo J&F], usar o direito constitucional de se manter em silêncio”, explicou o advogado do empresário, Ticiano Figueiredo.
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