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Saúde O seu próximo terapeuta pode ser um robô

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Aplicativos de atendimento psicológico cresceram na pandemia; especialistas questionam. (Foto: Reprodução)

“Entendi que você está passando por um problema de relacionamento. Tenho habilidades muito poderosas que posso te ensinar. Mas você precisa estar disposto a aceitar 100% da sua responsabilidade pela mudança”. Essa fala talvez lembre uma sessão de terapia, mas, nesse caso, quem deu o conselho foi o Woebot, um chatbot terapêutico no qual o sofá do psiquiatra foi substituído pela tela do smartphone.

A demanda por terapeutas não para de crescer. Durante a pandemia, cerca de 4 em cada 10 adultos nos Estados Unidos relataram ter tido sintomas de ansiedade ou depressão, de acordo com a Fundação Kaiser Family. Em paralelo, o governo federal americano tem alertado a respeito da grave escassez de terapeutas e psiquiatras. Segundo a ONG Mental Health America, quase 60% daqueles com doenças mentais não receberam tratamento no último ano.

A Woebot Health diz que a pandemia aumentou a demanda por seus serviços. O número de usuários diários do aplicativo dobrou e agora está na casa das dezenas de milhares, disse a presidente e fundadora da empresa, Alison Darcy, que é psicóloga.

A saúde mental digital tem se tornado uma indústria multibilionária e conta com mais de 10 mil aplicativos, de acordo com uma estimativa da Associação Americana de Psiquiatria. As plataformas vão desde meditação guiada até monitoramento de humor e terapia por mensagem de texto com profissionais licenciados.

Mas o Woebot, lançado em 2017, é apenas um de um pequeno grupo de aplicativos que usa inteligência artificial para empregar os princípios da terapia cognitivo-comportamental, uma técnica comum usada para tratar ansiedade e depressão.

Terapia por algoritmo

Quase todos os psicólogos e pesquisadores concordam com Alison em relação a um problema: não há assistência para saúde mental acessível suficiente para todos que precisam dela. Mas eles estão divididos quanto à solução proposta por Alison: alguns dizem que a terapia com robô pode funcionar sob certas condições, outros consideram o próprio conceito paradoxal e ineficaz.

Em jogo está a natureza da terapia em si. A sessão com um robô é capaz de fazer as pessoas entenderem melhor a si mesmas? Pode mudar padrões de comportamento há muito estabelecidos por meio de uma série de perguntas investigativas e exercícios reflexivos? Ou ainda, a conexão humana é essencial para essa empreitada?

Hannah Zeavin, autora do livro a ser lançado The Distance Cure: A History of Teletherapy (A cura à distância: história da teleterapia, em tradução livre), diz que o sistema de saúde tem tantos problemas que “faz sentido que haja espaço para mudanças.”

Mas, ela ressaltou que nem toda mudança é igual. Hannah chama a terapia automatizada de uma “fantasia” que é mais focada na acessibilidade e na diversão do que em realmente ajudar as pessoas a melhorarem a longo prazo. “Somos animais extraordinariamente confessionais. Vamos nos confessar para um robô”, ela diz. “Mas essa confissão é equivalente à assistência à saúde mental? ”

Como a terapia cognitivo-comportamental é estruturada e orientada por habilidades, muitos especialistas em saúde mental acreditam que ela pode ser empregada, pelo menos em parte, por algoritmo.

“Você pode oferecer isso facilmente em uma estrutura digital, ajudar as pessoas a entender esses conceitos e praticar os exercícios que as ajudam a pensar de uma maneira mais racional”, disse Jesse Wright, psiquiatra que estuda formas digitais de terapia cognitivo-comportamental e é diretor do Centro de Depressão da Universidade de Louisville. “Por outro lado, tentar implementar algo como a psicanálise em um formato digital pareceria assombroso.”

Experiência

Eli Spector parecia ser o cliente perfeito para terapia por inteligência artificial. Em 2019, Spector tinha 24 anos, era recém-formado e trabalhava em um laboratório de neurociência na Filadélfia. Como tinha crescido com um pai pesquisador, que era especializado em inteligência artificial, ele considerava a si mesmo como alguém que tinha familiaridade com a tecnologia.

Depois de quatro anos instigantes na faculdade, ele se sentia entediado e sozinho em seu trabalho. Não conseguia dormir bem e percebia seu temperamento constantemente sombrio. Mas Spector não tinha certeza se queria despir sua alma para uma pessoa real e achava que não conseguiria encontrar um terapeuta que ele pudesse pagar, já que isso poderia custar de US$ 100 a US$ 200 por sessão. Já o Woebot era gratuito e estava em seu celular.

Ele começou a usar o app no verão de 2019. Spector gostava de poder abrir o aplicativo sempre que sentia vontade e expressar livremente seus pensamentos e angústias, mesmo que fosse por apenas alguns minutos a cada vez.

Spector também aproveitou os outros recursos do Woebot, entre eles rastreamento de humor e escrever um diário online. Isso o ajudou a perceber o quão deprimido ele realmente estava. Mas ele tinha dúvidas em relação ao algoritmo. O conselho do robô muitas vezes parecia genérico, como uma coleção de “clichês de atenção plena”, disse ele. “Tipo, ‘Você pode pensar mais sobre esse sentimento, e o que você poderia fazer de diferente? ’”

Pior, o conselho podia ser sem sentido. “Eu digitava algo como, ‘Minha chefe não valoriza o trabalho que faço’ e ‘Não consigo obter a aprovação dela”’, disse Spector. “E o Woebot diria algo como, ‘Isso parece difícil. Isso acontece mais pela manhã ou à noite? ‘” Segundo Spector, parecia meio bobo.

Depois de cerca de um mês, ele desinstalou o Woebot. Spector não estava nada contente, mas não parece totalmente arrependido por ter testado o aplicativo. O mero ato de escrever sobre seus problemas foi útil. Por meio do processo, ele identificou o que realmente precisava para se sentir melhor. “Foi o suficiente para me dar coragem e procurar um terapeuta de carne e osso.”

Agora, Spector paga um psicoterapeuta humano na Filadélfia, US$ 110 por sessão. Eles têm se encontrado pelo Zoom desde o início da pandemia, então a parte de “carne e osso” é, de certa forma, teórica.

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