Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 17 de setembro de 2019
Ao longo dessa segunda-feira, o Google prestou uma homenagem especial aos 105 anos de nascimento do cantor e compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974), veiculando uma caricatura do artista de microfone em punho no “doodle” (espécie de cabeçalho temático que costuma ser mesclado ao logotipo do gigante da internet em sua página de abertura).
Quem clicasse sobre a imagem teria acesso a uma série de textos, imagens e áudios sobre o rei da “dor-de-cotovelo”, autor de clássicos da música popular brasileira como “Felicidade”, “Se Acaso Você Chegasse”, “Nervos de Aço”, “Cadeira Vazia” e o Hino do Grêmio, o seu clube do coração.
Lupicínio morreu em 27 de agosto de 1974, no Hospital Ernesto Dornelles, poucas semanas antes de completar 60 anos de idade, vítima de complicações decorrentes do diabetes. Desde então, se mantém no posto de um dos nomes gaúchos de maior projeção na música nacional, a exemplo de Elis Regina e Radamés Gnatalli, apenas para se mencionar alguns dos mais conhecidos.
O seu legado está presente em quase 300 canções, das quais aproximadamente 20 permanecem na boca do povo, enquanto a maioria delas se perdeu no tempo, pela falta de registro ou mero esquecimento. Ao todo, Lupi gravou meia dúzia de discos com a própria voz, embora os seus grandes sucessos tenham sido eternizados nas vozes de medalhões como Francisco Alves e Jamelão.
Pai de três filhos, avô, marido, “dono-de-casa”, o baixinho nascido e crescido no hoje extinto bairro da Ilhota (imediações do atual Ginásio Tesourinha) em uma família de 13 filhos também foi boêmio, soldado, funcionário público, cronista de jornal, empresário da noite, militantes do direito autoral e até candidato a vereador.
“Até mesmo alguns de seus fãs mais fervorosos desconhecem os vários Lupicínios que havia dentro desse personagem”, explica o jornalista e pesquisador Marcello Campos, repórter de “O Sul” e autor de “Almanaque do Lupi”, a mais completa biografia do artista, editada pela prefeitura de Porto Alegre em 2014, em meio às comemorações do seu então centenário.
“Praticamente todos os registros e depoimentos apontam para um gênio intuitivo que, mesmo sem conhecimento de teoria musical e com estudo formal limitado ao Primário incompleto, soube converter pequenos e grandes dramas existenciais em letras e músicas que eventualmente atingem um grau bastante sofisticado dentro do cenário pré-bossa nova”, detalha.
“Lupi compunha assobiando a melodia e anotando as letras em guardanapos e pedaços de papel, mas, na hora de “passar para o papel” as melodias e harmonias, esteve sempre escoltado por craques do violão, como Ney Orestes, Alcides Gonçalves, Raul Lima, Jessé Silva e Darcy Alves”.
Paixão tricolor
O hino oficial do Grêmio foi composto por Lupicínio (um gremista fanático) em junho de 1953, em meio a uma greve geral dos motoristas, motorneiros e cobradores de ônibus e bondes das empresas Carris, Soul e Teresópolis. A paralisação dificultou o acesso da torcida à então sede do clube, o Estádio da Baixada, no bairro Moinhos de Vento.
“Diferentemente do que muito se disse desde então, o tema tricolor não foi escolhido em um concurso, mas encomendado a Lupicínio por Ernesto Cros Valdez, advogado e cronista do Diário de Notícias. O novo tema foi um “estouro” e ainda hoje é, provavelmente, a composição mais executada do compositor, que teria recebido por esse trabalho apenas uma cadeira no Olímpico. Que pouco usou, pois gostava mesmo da arquibancada geral.
(Marcello Campos)
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