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Mundo O Uruguai imuniza brasileiros com dupla nacionalidade

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(Foto: Divulgação)

O Uruguai começou a vacinar a população entre 50 e 70 anos de cidades na fronteira com o Brasil, onde os hospitais estão cheios. Brasileiros com dupla nacionalidade serão imunizados.

Autoridades uruguaias estão preocupadas com a situação da pandemia do lado brasileiro e destinaram parte das doses que sobraram de outras regiões para reforçar a imunização na fronteira e tentar blindar o país da ameaça de novas variantes, como a P1, de Manaus

A artesã Miriam Moreira, de 58 anos, estava entre os brasileiros com cidadania uruguaia que já se vacinaram contra a covid-19. Miriam tornou-se cidadã após o casamento com um uruguaio e vive em Rivera, no Uruguai, divisa com Sant’ana do Livramento (RS).

A vacina mudou a rotina das pessoas que moram do lado brasileiro, já que as duas cidades – Sant’ana do Livramento e Rivera – são conurbadas, sem controle migratório. Mas, para se vacinar no Uruguai, é preciso marcar com antecedência.

O Ministério de Saúde uruguaio permite três diferentes formas de agendamento. “Marquei por WhatsApp. Em dez minutos realizei o agendamento. Três dias depois, estava imunizada”, contou Miriam.

As autoridades dos dois municípios têm adotado protocolos diferentes no enfrentamento da pandemia. No lado brasileiro, Livramento sofreu com o fechamento do comércio e atualmente está sob o impacto da bandeira preta no mapa de distanciamento controlado do Rio Grande do Sul, o que indica risco altíssimo de contágio.

Já Rivera vem ocupando, desde o ano passado, o título de cidade uruguaia com maior número de casos no interior. Ainda assim, o governo local mantém restrições bem mais flexíveis do que as adotadas no lado brasileiro, inclusive com o comércio funcionando normalmente.

Os gaúchos da fronteira dizem que é um privilégio contar com a vacina no país vizinho. “Estou muito feliz por morar em uma cidade de fronteira e poder receber a imunização. Acho que no Brasil vai demorar um pouco mais. Agradeço muito ao Uruguai por ter me dado essa oportunidade”, afirmou Miriam.

Avanço

Segundo o Ministério da Saúdo Uruguai, a partir de hoje haverá a confirmação de outras faixas etárias para a imunização no país. Miriam aguarda a segunda dose, já marcada para o dia 5 de abril.

“Assim que eu tomar a última dose, quero voltar a levar uma vida mais próxima do antigo normal. Espero que, aos poucos, isso aconteça.”

No Uruguai, podem se vacinar moradores das cidades de Artigas, Bella Unión, Rivera, Rio Branco e Chuí. O governo do presidente Luis Lacalle Pou tem pressa, porque teme o aumento de casos importados do Brasil. No domingo (14), o Uruguai registrou três recordes negativos: maior número de contágios em um dia (1.587), segundo maior número de mortes (14) e maior número de internados em UTI (124).

Nove dos 19 Departamentos uruguaios estão na chamada zona de risco: Salto, San José, Florida, Rio Negro, Montevidéu, Cerro Largo, Taquarembo, Artigas e Rivera.

O ministro da Saúde uruguaio, Daniel Salinas, afirmou que o momento é um dos mais complexos da pandemia e é preciso “reavaliar” a abordagem da covid.

O Sindicato Médico do Uruguai pediu medidas para reduzir a mobilidade de pessoas e a Federação Médica do Interior afirmou que o governo precisa olhar os dados de cada região de maneira diferente.

Autoridades uruguaias vêm expressando preocupação com o que ocorre no Brasil, onde a pandemia saiu de controle, como no caso do Rio Grande do Sul, onde hospitais estão lotados, principalmente em Porto Alegre.

Vacinas

Em fevereiro, o Uruguai recebeu 192 mil doses da CoronaVac e iniciou a campanha de imunização há poucos dias. No Departamento de Rivera, ao menos 15 mil pessoas já foram vacinadas com as primeiras doses, de acordo com o intendente do departamento, Richard Sander. Uma nova carga de 1,5 milhão de doses deve chegar ainda nesta semana para impulsionar a campanha.

O Uruguai, que pretende vacinar o mais rapidamente possível seus 3,5 milhões de habitantes, também espera uma carga de 450 mil vacinas da Pfizer até o fim de abril.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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