Segunda-feira, 18 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 7 de março de 2019
O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, disse que o presidente Jair Bolsonaro foi mal interpretado ao afirmar, durante discurso nessa quinta-feira, que a democracia e a liberdade só existem “quando as Forças Armadas querem”.
“Na verdade, o presidente falou que onde as Forças Armadas não estão comprometidas com democracia e liberdade, esses valores morrem”, argumentou. “É o que acontece na Venezuela, por exemplo. Lá, as Forças Armadas rasgaram esses valores.”
Questionado se a fala de Bolsonaro teve um tom ameaçador, Mourão negou. Para ele, o Brasil é um exemplo do comprometimento dos militares com esses princípios: “Onde as Forças Armadas não são comprometidas com democracia e liberdade, elas não subsistem”.
Mourão não quis responder sobre outros temas, como as postagens controversas de Bolsonaro durante o Carnaval. No que se refere às críticas feitas a ele pelo escritor Olavo de Carvalho – espécie de “guru da nova direita brasileira” – ele apenas sorriu, despedindo-se das câmeras e microfones. “Beijinhos”, encerrou a conversa.
Já o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), o também general Augusto Heleno, garantiu não haver motivos para polêmica na fala do chefe do Executivo – que antes de se tornar deputado federal também foi capitão do Exército.
“Não vejo nada demais na declaração”, afirmou Heleno. “Ele estava fazendo um discurso em comemoração dos 111 anos do corpo de fuzileiros navais e apenas falou o que todo mundo sabe: as Forças Armadas são o baluarte da democracia e da liberdade. Historicamente, em todos os países do mundo.”
“Respeito à família”
O discurso de Bolsonaro foi realizado durante a cerimônia comemorativa ao 211º aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais, na Fortaleza de São José da Ilha de Cobras, no Centro do Rio de Janeiro. Em quatro minutos, ele também abordou temas como aposentadoria dos militares e disse que a sua vitória na eleição do ano passado deu a ele “uma missão”.
“Essa missão será cumprida ao lado das pessoas de bem do nosso Brasil, daqueles que amam a pátria, daqueles que respeitam a família, daqueles que querem aproximação com países que têm ideologia semelhante à nossa, daqueles que amam a democracia”, ressaltou. Foi quando fez a manifestação que gerou a mais recente polêmica de seu governo: “Democracia e liberdade só existem quando as Forças Armadas assim o querem”.
Os comentários estão desativados.