Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 8 de setembro de 2021
Doze obras de arte que pertenciam ao doleiro Dario Messer foram doadas ao Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro. O acervo foi calculado em R$ 10 milhões. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (8), pela assessoria do Ministério Público Federal (MPF).
Ao todo, são 10 obras de Di Cavalcanti, uma de Djanira e uma de Emeric Marcier. A propriedade do acervo foi transferida para o patrimônio da União. Entretanto, o transporte das obras para o MNBA, que fica na Cinelândia, centro do Rio, ocorrerá depois de finalizado o processo para contratação de transporte e seguro.
Só a obra Três Figuras Femininas, de Di Cavalcanti, tem o valor estimado de R$ 3 milhões. A transferência do acervo ocorreu após a proposta do MPF ter sido acatada pela Justiça, no âmbito do acordo de colaboração firmado por Rosane Messer, esposa do doleiro, que foi preso e condenado no âmbito da Operação Lava-Jato.
Para a diretoria do MNBA, a incorporação dessas obras ao acervo do museu é de enorme relevância para a democratização e o acesso público ao bem cultural.
O museu recebe as seguintes obras:
1) Emiliano di Cavalcanti – Retrato feminino – 1965;
2) Emiliano di Cavalcanti – Carnaval – 1960;
3) Emiliano di Cavalcanti – Retrato de duas figuras femininas – 1967;
4) Emiliano di Cavalcanti – Paisagem com barco – 1971;
5) Emiliano di Cavalcanti – Três figuras femininas (“Mulheres com Bandolim”);
6) Emiliano di Cavalcanti – Figura feminina janela;
7) Emiliano di Cavalcanti – Retrato de figura feminina – 1967;
8) Djanira de Motta e Silva – Vendedor de abacaxi;
9) Emerie Marcier – Paisagem urbana;
10) Emiliano di Cavalcanti – Figura Feminina e gato;
11) Emiliano di Cavalcanti – Duas figuras femininas com flor;
12) Emiliano di Cavalcanti – Seis figuras femininas.
Condenação
O doleiro Dario Messer, conhecido como o “doleiro dos doleiros”, foi condenado pela Justiça Federal do Rio a 13 anos e 4 meses de prisão em regime fechado no processo da Operação Marakata, desdobramento da Lava-Jato no Rio, pelo crime de lavagem de dinheiro.
Foi a primeira vez que Dario Messer é condenado na Lava-Jato. Ele foi absolvido da acusação de evasão de divisas.
A operação Marakata foi realizada em setembro de 2018, e prendeu 5 pessoas de forma preventiva.
Segundo as investigações, a empresa Comércio de Pedras O. S. Ledo usou os serviços de Messer para enviar ilegalmente 44 milhões de dólares ao exterior, entre 2011 e 2017.
O Ministério Público Federal (MPF) apontou que os doleiros Juca Bala e Tony, que trabalhavam na mesa de câmbio de Dario Messer no Uruguai, abriram contas no Panamá para receber pagamentos da empresa, que vendia esmeraldas e pedras preciosas para empresários indianos.
As pedras eram extraídas de minas de Campo Formoso, na Bahia.
Segundo a denúncia, os dólares ocultos no exterior eram trazidos para Brasil, mas não eram declarados. O MPF ainda diz que o dinheiro era utilizado para pagar garimpeiros e atravessadores com os quais a empresa negociava as pedras.
As investigações da Lava-Jato no Rio de Janeiro apontam que o esquema de câmbio paralelo – chefiado por Messer – movimentou US$ 1,6 bilhão em operações ilegais de câmbio em 52 países.
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