Quarta-feira, 25 de março de 2026
Por Redação O Sul | 13 de março de 2026
Como muitas comunidades de aposentados nos Estados Unidos, The Terraces serve como um refúgio tranquilo para um núcleo de idosos que não podem mais viajar para lugares distantes ou se aventurar em atividades radicais.
Mas eles ainda podem ser transportados de volta aos seus dias de espírito aventureiro e busca por emoções fortes sempre que os cuidadores da comunidade em Los Gatos, Califórnia, agendam uma data para que os residentes – muitos com idades entre 80 e 90 anos – se revezem usando óculos de realidade virtual.
Em questão de minutos, os headsets podem transportá-los à Europa, levá-los às profundezas do oceano ou enviá-los a expedições de asa-delta, enquanto permanecem sentados lado a lado. A seleção da programação de realidade virtual foi feita pela Rendever, empresa que transformou uma tecnologia que por vezes isola os usuários em um catalisador para melhorar a cognição e as conexões sociais em 800 comunidades de aposentados nos EUA e no Canadá.
A tecnologia pode ainda levar virtualmente idosos de volta aos lugares onde cresceram. Para alguns, é a primeira vez em décadas que veem as cidades natais. Uma viagem virtual ao bairro de sua infância no distrito do Queens, em Nova York, ajudou a convencer Sue Livingstone, de 84 anos, dos méritos da realidade virtual.
“Não se trata só de poder ver isso de novo, mas de todas as memórias que isso traz à tona”, diz Sue. “Há algumas pessoas que moram aqui que nunca saem da sua zona de conforto.”
Adrian Marshall, diretor de vida comunitária do Terraces, afirma que, uma vez que a notícia sobre uma experiência de realidade virtual se espalha de um morador para outro, mais dos que nunca a experimentaram ficam curiosos para testá-la.
“Isso se torna um ponto de partida para conversas. Realmente conecta as pessoas”, avalia Marshall sobre a programação de realidade virtual. “Ajuda a criar uma ponte que as faz perceber que compartilham certas semelhanças e interesses. Transforma o mundo artificial em realidade.”
A Rendever, empresa com sede em Somerville, Massachusetts, espera expandir sua plataforma para residenciais de idosos com uma recente doação dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), que fornecerão quase US$ 4,5 milhões para estudar formas de reduzir o isolamento social de idosos que vivem em casa e seus cuidadores.
Alguns estudos descobriram que a programação de realidade virtual, apresentada em um formato de visualização limitado, pode ajudar os idosos a manter e melhorar as funções cognitivas, aprimorar a memória e fortalecer os laços sociais com suas famílias e outros residentes de instituições de longa permanência.
Os óculos de realidade virtual podem oferecer uma forma mais fácil para idosos interagirem com a tecnologia, em vez de terem que se atrapalhar com um smartphone ou outro dispositivo que exige navegar por botões, diz Pallabi Bhowmick, pesquisadora da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, que está examinando o uso da realidade virtual na terceira idade.
“Os estereótipos de que os idosos não estão dispostos a experimentar novas tecnologias precisam mudar porque eles estão dispostos e querem se adaptar a tecnologias que sejam significativas para eles”, afirma Pallabi.
É um mercado tão grande que outra especialista em realidade virtual, a Mynd Immersive, com sede em Dallas, compete com a Rendever oferecendo serviços personalizados para comunidades de idosos.
Além de ajudar a criar conexões sociais, a programação de realidade virtual da Rendever e da Mynd tem sido utilizada como uma possível ferramenta para retardar os efeitos nocivos da demência. É assim que outro condomínio para idosos do Vale do Silício, o Forum, às vezes utiliza a tecnologia.
Bob Rogallo, um residente do Forum diagnosticado com demência e que perdeu a fala, parecia estar se divertindo fazendo uma caminhada virtual pelo Parque Nacional Glacier, em Montana, enquanto acenava com a cabeça e sorria ao comemorar seu 83.º aniversário com sua esposa, com quem é casado há 61 anos.
Sallie Rogallo afirma que a experiência trouxe de volta boas lembranças das visitas do casal ao mesmo parque durante os mais de 30 anos que passaram viajando de carro pelos Estados Unidos. “Me fez desejar ter 30 anos a menos para poder fazer tudo de novo”, diz sobre a visita virtual ao Parque Nacional Glacier. “Permite que você saia do mesmo ambiente e vá para um lugar novo ou visite lugares que você já conhece.” As informações são da agência de notícias AP.
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