Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 7 de julho de 2017
Um censo divulgado nesta quinta-feira revela que ao menos oito brasileiros integram as fileiras das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Entre os estrangeiros que compõem a guerrilha, há também 54 venezuelanos, 16 equatorianos, dois chilenos, um argentino, um holandês, um francês, um panamenho e um dominicano.
O levantamento, conduzido pela Universidade Nacional da Colômbia e pela Agência para a Reincorporação e Normalização, foi feito com os 10.015 integrantes das Farc em todo o país. Do total de integrantes, 55% eram combatentes, 29% milicianos e colaboradores e 16% presos da organização rebelde. Os homens eram a maioria, 77% do grupo.
Após fechar em novembro um acordo de paz com o governo colombiano, a guerrilha concluiu seu desarmamento na semana passada e se prepara para se reincorporar à vida civil. As Farc são a principal e mais antiga guerrilha da América do Sul. O acordo de paz põe fim a 50 anos de conflito armado.
O estudo, realizado em quatro semanas, foi recebido pelo diretor da Agência para a Reincorporações e a Normalização, Joshua Mitrotti, e pelo líder guerrilheiro Félix Antonio Muñoz Lascarro, conhecido como “Pastor Alape”. Eles vão utilizar o documento para concretizar as políticas de reincorporação dos insurgentes à sociedade uma vez terminado o conflito.
O censo abrangeu as 26 chamadas zonas transitórias de normalização (ZVTN) – onde já estão os ex-combatentes -, 38 prisões e nove casas de acolhimento para as crianças que estavam na guerrilha e faz parte do acordo de paz assinado entre as Farc e o governo da Colômbia. Para Lascarro, o censo foi um “exercício bem-sucedido para o país”, e “a comunidade guerrilheira ficou satisfeita com o trabalho”. E de acordo com o reitor da Universidade Nacional da Colômbia, Ignacio Mantilla, os objetivos foram atingidos.
O levantamento também mostrou que há 2.267 grávidas, das quais 77% faziam pré-natal. Por idade, notou-se que a gravidez é mais frequente entre as mulheres que têm entre 23 e 27 anos.
A pesquisa descobriu ainda que 66% dos integrantes das Farc são pessoas da zonas rurais, 19% pertencem ao perímetro urbano e 15% são de uma mistura dos dois. Quanto a moradia, 77% disseram ao pesquisador que não têm um lugar para morar, 12% manifestaram ter uma casa em uma zona rural, 7% disseram ter uma moradia perto da cidade e os 4% restantes afirmaram viver em um local povoado.
Conforme a contagem, dos 10.015 recenseados, 60% têm interesse em desenvolver projetos agropecuários em fazendas, 39% querem participar de programas de construção e melhoria de moradias, e o restante, atividades de construção e manutenção de estadas, escolas e postos de saúde.
Ao todo, 17% dos integrantes estão dispostos a realizar atividades de desativação de minas, 27% querem ser guardas florestais e 32% gostariam de participar de projetos educacionais.
Os comentários estão desativados.