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Brasil Operação Lava-Jato administra bens bloqueados que valem 1,5 bilhão de reais

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O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava-Jato na primeira instância, já se deparou com pedido de sequestro de cavalos de raça, que teriam sido comprados com dinheiro obtido ilegalmente (Foto: Marcos Tristão/AG)

Hotéis, carros de luxo, animais, lanchas e obras de arte. Em meio às cifras bilionárias das irregularidades na Petrobras, uma preocupação inquieta as autoridades envolvidas com o dia a dia da Operação Lava-Jato: a gestão dos bens bloqueados ou sequestrados dos réus. O Ministério Público Federal estima em pelo menos 1,5 bilhão de reais o patrimônio total bloqueado dos suspeitos investigados só no Brasil.

Quando os alvos não são contas bancárias ou dinheiro em espécie, mas propriedades, como veículos e imóveis, a Justiça precisa providenciar meios de manter a conservação. Há sugestões até de criar um órgão específico para administrar bens bloqueados. O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava-Jato na primeira instância, já se deparou com pedido de sequestro de cavalos de raça, que teriam sido obtidos com dinheiro de crime.

Só o doleiro Alberto Youssef, pivô da operação, se comprometeu em acordo de colaboração premiada a devolver bens que somam mais de 45 milhões de reais. O pacote inclui participação em hotéis na Bahia, em Aparecida do Norte (SP) e em Londrina (PR). Outra figura central do caso, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa prometeu devolver uma lancha.

Em palestra em São Paulo há duas semanas, Moro disse que é preciso criar meios de delegar formalmente responsabilidades. “Um juiz não tem tempo para ficar cuidando desses casos e todas as questiúnculas e problemas que decorrem cotidianamente. Em caso de boi [apreendido], precisa dar comida para o boi, vacinar o boi.”

A ideia de criar uma espécie de agência para gerir bens sequestrados foi defendida no mesmo evento que Moro participou pela procuradora-chefe do Ministério Público Federal em São Paulo, Anamara Osório. Na Lava-Jato, uma alternativa encontrada até agora foram os leilões antecipados de bens apreendidos. Carros de luxo de doleiros foram vendidos mesmo antes do fim dos processos. O dinheiro obtido foi depositado em uma conta que fica bloqueada até a conclusão do processo. (Folhapress) 

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